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Por que algumas pessoas emagrecem 30 kg com Mounjaro e outras apenas 5 kg? A ciência desvendou essa diferença

Desde que o Mounjaro (tirzepatida) passou a ser utilizado no tratamento da obesidade, milhares de pessoas compartilharam resultados impressionantes nas redes sociais.

Enquanto alguns pacientes relatam perdas superiores a 30 quilos em poucos meses, outros observam uma redução muito mais discreta, mesmo seguindo corretamente o tratamento.

A diferença costuma gerar dúvidas e até frustração. Afinal, se duas pessoas utilizam o mesmo medicamento, por que os resultados podem ser tão diferentes?

Pesquisas recentes indicam que a resposta está longe de ser simples. A eficácia da tirzepatida depende de uma combinação de fatores biológicos, hormonais, genéticos e comportamentais.

E uma recente pesquisa trouxe uma descoberta que pode ajudar a explicar parte dessa variação.

Um tipo específico de obesidade parece responder melhor ao Mounjaro

Um estudo publicado na revista Gastroenterology identificou que a obesidade não é uma condição única.

Existem diferentes mecanismos biológicos envolvidos no ganho de peso, e alguns pacientes apresentam características que favorecem uma resposta muito mais intensa aos medicamentos da classe da tirzepatida.

No estudo, que avaliou 483 adultos com obesidade, cerca de 25% dos participantes apresentavam um subtipo denominado pelos pesquisadores de “Hungry Gut” (intestino faminto).

Essas pessoas produzem menores quantidades de hormônios responsáveis pela sensação de saciedade. Como consequência, voltam a sentir fome pouco tempo após as refeições e tendem a consumir mais calorias ao longo do dia.

Como a tirzepatida atua justamente aumentando a saciedade e retardando o esvaziamento do estômago, os pesquisadores observaram uma resposta significativamente superior nesse grupo.

Após seis meses de tratamento, os participantes classificados com o perfil “Hungry Gut” perderam, em média, 21,5% do peso corporal, enquanto os demais registraram uma perda média de aproximadamente 11,7%.

Segundo os autores, a descoberta abre caminho para uma medicina cada vez mais personalizada, permitindo que, no futuro, os tratamentos sejam escolhidos de acordo com o perfil biológico de cada paciente.

A dose do medicamento também influencia os resultados

Outro fator importante é a fase do tratamento.

O Mounjaro normalmente é iniciado com doses de 2,5 mg, que têm como principal objetivo permitir que o organismo se adapte ao medicamento, reduzindo os efeitos gastrointestinais.

Posteriormente, a dose costuma ser aumentada para 5 mg, 7,5 mg, 10 mg, 12,5 mg ou 15 mg, conforme avaliação médica.

Diversos estudos clínicos demonstram que as maiores perdas de peso costumam ocorrer após o aumento gradual da dose, principalmente quando os pacientes atingem as doses terapêuticas mais elevadas.

Isso significa que comparar os resultados obtidos por alguém que utiliza 2,5 mg com outro paciente que já está em 15 mg pode gerar conclusões equivocadas.

Hormônios podem dificultar o emagrecimento

As alterações hormonais exercem forte influência sobre o metabolismo.

Mulheres na menopausa, por exemplo, apresentam redução dos níveis de estrogênio, favorecendo o acúmulo de gordura abdominal e diminuindo o gasto energético.

Além disso, doenças como:

  • hipotireoidismo;
  • síndrome dos ovários policísticos (SOP);
  • resistência à insulina;
  • diabetes tipo 2;

podem tornar o processo de emagrecimento mais lento, mesmo durante o uso da tirzepatida.

Isso não significa que o medicamento deixou de funcionar, mas que o organismo pode responder de maneira diferente.

Alimentação continua sendo fundamental

Embora o Mounjaro reduza significativamente o apetite, ele não substitui uma alimentação equilibrada.

Pacientes que mantêm uma dieta rica em proteínas, fibras, frutas, verduras e alimentos minimamente processados costumam preservar melhor a massa muscular e favorecer a perda de gordura.

Por outro lado, o consumo frequente de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas pode reduzir parte dos benefícios do tratamento.

As principais diretrizes internacionais para obesidade continuam recomendando que o medicamento seja associado à reeducação alimentar.

Exercício físico potencializa os efeitos

A atividade física desempenha um papel importante durante o tratamento.

O treinamento de força ajuda a preservar a massa muscular, enquanto os exercícios aeróbicos aumentam o gasto energético e melhoram a saúde cardiovascular.

A combinação entre exercício físico e tirzepatida tende a produzir uma composição corporal mais favorável, reduzindo principalmente a gordura corporal.

A genética pode explicar parte da resposta ao tratamento

Pesquisadores também investigam a influência dos genes na resposta aos agonistas dos receptores GLP-1 e GIP, classe à qual pertence a tirzepatida.

Embora essa área ainda esteja em desenvolvimento, acredita-se que diferenças genéticas possam alterar tanto o controle da fome quanto a sensibilidade aos medicamentos, explicando por que algumas pessoas apresentam resultados muito acima da média.

Ainda não existem testes genéticos amplamente utilizados para prever quem responderá melhor ao tratamento, mas essa pode ser uma realidade nos próximos anos.

Vale a pena comparar sua perda de peso com a de outras pessoas?

A resposta é não.

Especialistas em endocrinologia alertam que a velocidade do emagrecimento depende de diversos fatores, incluindo:

  • idade;
  • sexo;
  • peso inicial;
  • composição corporal;
  • doenças associadas;
  • alimentação;
  • prática de atividade física;
  • qualidade do sono;
  • genética;
  • dose utilizada;
  • tempo de tratamento.

Por isso, duas pessoas utilizando exatamente o mesmo medicamento podem apresentar resultados bastante diferentes.

O mais importante é acompanhar a evolução com o médico responsável e manter expectativas realistas.

A tendência é que, nos próximos anos, a medicina evolua para tratamentos cada vez mais personalizados, permitindo identificar qual estratégia oferece a maior chance de sucesso para cada paciente.

Imagem de Capa: Getty Images

Márcia Lourenço

Formada em Nutrição e apaixonada pela profissão, encontro na escrita uma forma de expressão e conexão. Na criação de conteúdo do Sabias Palavras, abordo temas como saúde, bem-estar, relacionamentos e temas divertidos e de reflexão, sempre com uma abordagem humana.

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