Cinema

A socialite que matou amigas durante chá da tarde inspirou um dos documentários mais perturbadores da Netflix

Durante anos, ela foi vista como uma mulher elegante, refinada e bem relacionada na alta sociedade argentina. Participava de encontros sociais, mantinha aparência sofisticada e circulava entre pessoas influentes.

No entanto, por trás dessa imagem impecável existia uma das histórias criminais mais chocantes da Argentina.

Conhecida como “a envenenadora do chá”, Yiya Murano voltou a chamar atenção mundial após inspirar o documentário “Morta à Hora do Chá”, lançado recentemente pela Netflix. A produção revive um caso real que mistura manipulação, golpes financeiros, mortes misteriosas e uma personalidade que continua intrigando o público mesmo décadas depois dos crimes.

Quem foi Yiya Murano?

María de las Mercedes Bernardina Bolla Aponte de Murano nasceu em Corrientes, na Argentina, em 1930. Durante boa parte da vida, construiu a imagem de uma mulher sofisticada da classe média alta de Buenos Aires.

Casada com um advogado e mãe de um filho, ela mantinha uma rotina aparentemente estável. Mas, nos bastidores, acumulava dívidas, gastava muito além do que podia e enfrentava sérios problemas financeiros.

Nos anos 70, em meio à crise econômica argentina, Yiya começou a pedir dinheiro emprestado para amigas, vizinhas e familiares. Em troca, prometia altos lucros em supostos investimentos.

O esquema funcionava como uma espécie de pirâmide financeira informal: ela utilizava o dinheiro de novas vítimas para pagar as dívidas anteriores e manter a ilusão de sucesso.

As mortes começaram de forma misteriosa

O problema surgiu quando Yiya perdeu o controle das dívidas. Entre fevereiro e março de 1979, três mulheres próximas morreram após encontros aparentemente comuns envolvendo chá da tarde, bolos e conversas casuais.

As vítimas tinham algo em comum: todas haviam emprestado dinheiro para Yiya Murano.

Inicialmente, as mortes pareciam ser de causas naturais. Algumas foram atribuídas a problemas cardíacos. No entanto, a repetição do padrão começou a levantar suspeitas entre investigadores.

O veneno escondido no chá e nos doces

Após investigações e exumações dos corpos, as autoridades descobriram a presença de cianeto, um veneno extremamente tóxico. De acordo com a acusação, o veneno teria sido colocado nos alimentos e bebidas servidos durante os encontros organizados por Yiya.

O caso rapidamente se transformou em um dos crimes mais conhecidos da história argentina.

Prisão, julgamento e polêmica

Em abril de 1979, as autoridades prenderam Yiya Murano. Mesmo diante das acusações, manteve a inocência durante anos e negava qualquer participação nos assassinatos.

O processo judicial gerou enorme repercussão na Argentina. Inicialmente absolvida por falta de provas, ela acabou condenada em 1985 pelas três mortes. Mesmo assim, conseguiu redução de pena e deixou a prisão após cerca de 16 anos.

Um dos episódios mais controversos envolvendo o caso aconteceu quando Yiya enviou caixas de bombons para juízes ligados à sua libertação, algo que aumentou ainda mais a aura de manipulação em torno da criminosa.

O fascínio que transformou Yiya em figura midiática

Após sair da prisão, Yiya Murano virou presença frequente em programas de televisão, entrevistas e debates sobre crimes reais. Sua postura fria, teatral e muitas vezes irônica ajudou a transformar a criminosa em uma figura quase folclórica na cultura argentina.

Mesmo condenada, continuou afirmando publicamente que era inocente.

Com o passar dos anos, surgiram suspeitas de que o número de vítimas poderia ser maior. O próprio filho de Yiya chegou a declarar que acreditava que a mãe poderia ter cometido outros crimes nunca comprovados oficialmente.

O documentário da Netflix revive o caso

O documentário “Morta à Hora do Chá” trouxe novamente o caso para o centro das atenções e despertou curiosidade internacional sobre a história real por trás da produção.

A obra explora não apenas os assassinatos, mas também a personalidade manipuladora de Yiya Murano, o impacto do caso na sociedade argentina e o fascínio duradouro em torno da criminosa. Misturando investigação, relatos e reconstruções, a produção se tornou assunto entre fãs de documentários criminais e histórias reais perturbadoras.

Décadas depois dos crimes, o caso de Yiya Murano continua sendo lembrado como um dos episódios mais macabros da criminologia argentina.

A combinação entre aparência sofisticada, manipulação emocional, golpes financeiros e mortes silenciosas transformou a história em um símbolo de como crimes brutais podem se esconder atrás de rostos aparentemente comuns.

Imagem de Capa: Reprodução/Netflix

Jade Lourenço

Formada em Design Gráfico e atua como criadora de conteúdo para o Sábias Palavras, onde escreve artigos voltados para saúde, bem-estar, relacionamentos e entretenimento. Apaixonada por gatos, viagens e novas culturas, busco transformar informação em conteúdos leves, envolventes e acessíveis para o público.

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