A legging se tornou uma das peças mais populares do guarda-roupa moderno. Confortável, versátil e prática, ela acompanha mulheres na academia, no trabalho, em viagens e até dentro de casa.
Mas existe um detalhe – que não é sobre moda ou estilo – que poucas pessoas costumam observar antes de comprar ou vestir esse tipo de roupa, e ele está escondido na etiqueta.
Embora a maioria escolha uma peça levando em conta apenas o caimento, a elasticidade ou o preço, a composição do tecido pode dizer muito sobre os materiais utilizados na fabricação e levantar discussões importantes sobre saúde, meio ambiente e exposição diária a substâncias químicas.
Nos últimos anos, pesquisadores passaram a investigar com mais atenção os impactos das fibras sintéticas presentes em roupas que permanecem em contato direto com a pele durante muitas horas. O assunto ainda gera debates científicos, mas já desperta a preocupação de consumidores em todo o mundo.
Basta virar a etiqueta da roupa para descobrir do que ela é feita. Em boa parte das leggings disponíveis no mercado aparecem materiais como:
Essas fibras são produzidas a partir de derivados do petróleo, ou seja, são materiais sintéticos conhecidos popularmente como “plásticos têxteis”.
A combinação dessas fibras é justamente o que proporciona elasticidade, resistência e ajuste ao corpo, características que fizeram da legging uma peça indispensável para milhões de pessoas.
O principal ponto levantado por especialistas não é o simples fato de a roupa conter fibras sintéticas, mas a exposição constante a determinados produtos químicos utilizados durante sua fabricação.
Alguns tecidos podem receber tratamentos com corantes, impermeabilizantes, retardantes de chama, antimicrobianos e outros compostos químicos.
Dependendo do processo de produção e da legislação de cada país, algumas dessas substâncias podem incluir compostos classificados como potenciais disruptores endócrinos.
Esses compostos são estudados por sua capacidade de interferir no funcionamento hormonal do organismo quando a exposição ocorre em determinadas condições.
Pesquisas investigam possíveis relações entre esse tipo de substância e alterações hormonais, fertilidade, desenvolvimento reprodutivo e outros efeitos à saúde.
No entanto, os impactos específicos do uso cotidiano de leggings ainda não estão totalmente estabelecidos pela ciência, e não há consenso de que vestir esse tipo de roupa, por si só, cause esses problemas.
Outro fator frequentemente citado é que leggings costumam ser usadas muito justas ao corpo e durante atividades físicas, situações em que há aumento da temperatura corporal e suor, aumentando ainda mais o contato entre o tecido e a pele.
O poliéster, o nylon e o elastano passam por processos industriais que envolvem derivados petroquímicos e diversas etapas químicas até se transformarem em fios extremamente finos.
Depois da fabricação, o tecido ainda pode receber acabamentos para melhorar sua aparência, elasticidade, resistência ao desgaste, proteção contra manchas e até controle de odores.
Cada fabricante utiliza processos diferentes, e a qualidade do produto varia bastante conforme os padrões adotados.
Não exatamente.
A lavagem remove sujeiras e parte dos resíduos superficiais, mas não altera a composição das fibras sintéticas.
Além disso, existe outra preocupação ambiental: a cada lavagem, pequenas microfibras de plástico podem se desprender do tecido e seguir pelo sistema de esgoto. Muitas delas não são totalmente retidas nas estações de tratamento e acabam chegando aos rios, lagos e oceanos.
Essas partículas podem entrar na cadeia alimentar ao serem ingeridas por organismos aquáticos, motivo pelo qual a poluição por microplásticos tem recebido crescente atenção da comunidade científica.
Quem deseja reduzir o uso de tecidos sintéticos pode procurar peças confeccionadas com maior proporção de fibras naturais, como:
Esses materiais tendem a oferecer maior respirabilidade e costumam liberar menos microfibras plásticas durante a lavagem, embora também possuam impactos ambientais próprios dependendo da forma de produção.
A discussão não termina nessa peça de roupa. Camisetas esportivas, roupas íntimas, meias, jaquetas, moletons e diversas outras peças também utilizam poliéster, nylon e elastano em diferentes proporções.
Isso significa que a exposição às fibras sintéticas faz parte da rotina da maioria das pessoas, independentemente do tipo de roupa que usam.
Por isso, mais do que abandonar uma peça específica, o mais importante é conhecer a composição das roupas, optar por produtos de qualidade, seguir as orientações de lavagem e acompanhar as evidências científicas à medida que novas pesquisas são publicadas.
No fim das contas, a etiqueta da roupa pode revelar muito mais do que apenas o tamanho ou a forma correta de lavagem.
Ela mostra exatamente quais materiais estarão em contato com sua pele todos os dias. E depois de descobrir isso, vale a pena fazer uma pergunta simples: você já conferiu do que são feitas as roupas que veste diariamente?
Imagem de Capa: Sábias Palavras
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