A forma como nos sentamos pode ser apenas mais um pequeno detalhe cotidiano, mas para muitas pessoas autistas e neurodivergentes, a escolha da posição corporal vai muito além de um simples hábito.
O que, à primeira vista, pode ser interpretado como uma postura “estranha” ou “peculiar” — como sentar de pernas cruzadas, ajoelhado na cadeira ou apoiando o corpo de maneiras pouco convencionais — na verdade desempenha um papel fundamental na regulação do bem-estar físico e emocional.
Pesquisas em neurociência apontam que indivíduos neurodivergentes possuem sistemas sensoriais que funcionam de forma distinta. Isso significa que o corpo pode buscar, de maneira instintiva, posturas que tragam equilíbrio entre estímulos internos e externos.
Sentar com as pernas dobradas, por exemplo, aumenta os pontos de contato com a superfície, gerando uma sensação de estabilidade que ajuda a reduzir a ansiedade e o desconforto causado pelo excesso de estímulos ao redor.
Estudos sobre propriocepção — a percepção do corpo no espaço — mostram que pessoas autistas podem apresentar diferenças nesse processamento sensorial. Desta forma, posturas “incomuns” funcionam, nesse contexto, como estratégias de autorregulação.
Ao cruzar as pernas ou adotar posições mais fechadas, há um aumento da sensação de controle sobre o corpo, o que diminui a imprevisibilidade das sensações físicas. Isso pode ser especialmente importante em ambientes movimentados, como escolas, escritórios ou espaços públicos.
Outro ponto relevante é que essas posturas não apenas confortam, mas também favorecem a concentração.
A compressão suave dos músculos em determinadas posições atua como um recurso semelhante ao “deep pressure” (pressão profunda), técnica terapêutica utilizada em contextos de integração sensorial. Essa pressão pode acalmar o sistema nervoso, reduzir a hiperatividade e melhorar a capacidade de manter a atenção em tarefas cognitivas.
Embora a sociedade muitas vezes associe essas posturas a falta de etiqueta ou “estranheza”, é essencial compreender que elas são, na realidade, adaptações naturais para lidar com um mundo que pode ser sensorialmente intenso.
O que parece incomum para observadores externos é, para a pessoa neurodivergente, uma forma saudável de buscar equilíbrio, conforto e previsibilidade.
Sentar de maneira diferente não é um “defeito”, mas sim uma expressão legítima de necessidades sensoriais e emocionais. Quando compreendemos esse comportamento à luz da ciência, deixamos de vê-lo como excentricidade e passamos a reconhecê-lo como uma estratégia de autorregulação.
E você, já percebeu em si ou em alguém próximo o hábito de sentar em posições fora do padrão? Compartilhe sua experiência nos comentários — afinal, cada corpo encontra o seu próprio jeito de buscar bem-estar.
Imagem de Capa: Canva
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