Durante muito tempo, comportamentos como cutucar a pele, espremer espinhas repetidamente ou mexer em pequenas imperfeições do corpo foram tratados como simples manias, hábitos nervosos ou falhas de autocontrole.
No entanto, a psicanálise apresenta uma leitura muito mais profunda e inquietante: esses atos costumam ser tentativas inconscientes de aliviar tensões emocionais que não conseguiram ser simbolizadas pela mente.
Quando sentimentos intensos não encontram espaço para serem nomeados, pensados ou acolhidos, eles não desaparecem. Eles procuram outro caminho. E, muitas vezes, esse caminho é o corpo.
Segundo a teoria psicanalítica, quando a angústia não pode ser simbolizada em palavras, o corpo assume a função de descarregar aquilo que ficou represado.
O gesto repetitivo funciona como uma válvula de escape primitiva, anterior à elaboração racional do sofrimento. Não se trata de um ato consciente, mas de uma forma rudimentar de autorregulação emocional.
Diversos estudos clínicos e observações terapêuticas apontam que esses comportamentos estão frequentemente ligados a experiências precoces, especialmente períodos da infância em que o sujeito precisou conter emoções intensas sem contar com amparo emocional suficiente.
Em contextos assim, a criança aprende, de forma inconsciente, que sentir demais não é seguro — e que não há espaço para expressar medo, raiva ou tristeza. O corpo, então, aprende a “resolver sozinho”.
É nesse ponto que surge o paradoxo central desses atos: eles machucam e aliviam ao mesmo tempo. Cutucar a pele pode causar dor, marcas e vergonha, mas também produz uma sensação momentânea de alívio, controle ou esvaziamento da tensão interna. Esse alívio temporário reforça o comportamento, criando um ciclo difícil de interromper.
Não é coincidência que muitas pessoas relatem esses comportamentos em momentos de ansiedade, silêncio emocional, excesso de exigência interna ou sensação de perda de controle.
O corpo passa a falar aquilo que a história psíquica ainda não conseguiu elaborar. Ele se torna um palco onde conflitos antigos continuam sendo encenados, na ausência de palavras.
Por isso, a psicanálise é clara ao afirmar: tratar não é apenas interromper o comportamento. Focar exclusivamente em parar o ato, sem escutar o que ele comunica, costuma gerar substituições compulsivas ou recaídas. O sintoma não é o problema em si, mas um mensageiro.
O verdadeiro trabalho terapêutico envolve criar condições para que aquilo que hoje se expressa no corpo possa, pouco a pouco, ganhar linguagem, sentido e elaboração psíquica. Quando a dor encontra palavras, o corpo já não precisa gritar.
Entender isso muda completamente a forma como esses comportamentos devem ser vistos: não como fraqueza, mas como sinais de uma história emocional que ainda pede escuta.
Imagem de Capa: Canva
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