Às vezes me bate aquela vontade louca de te mandar uma música, um trecho de uma poesia que me lembrou você, uma comida que a gente precisava fazer juntos e nem deu tempo. Às vezes bate aquela vontade de marcar o teu perfil em uma dessas publicações que lembram o teu gosto musical ou lugares que você um dia me contou que tinha vontade de visitar.

Se eu tento te esquecer, o teu cantor favorito resolve tocar no rádio do vizinho, aquela música que você um dia me mandou aparece nas sugestões pra ouvir do Spotify. Eu tento fugir dessa saudade que tem o teu nome, teu cheiro e o teu abraço bom, sabe? Eu tento esquecer de como o teu beijo encaixava no meu e de como o tempo passava quando eu estava ao teu lado e eu nem percebia. Eu tento não lembrar do teu sorriso sem graça, da tua cara amassada na minha manhã e do teu cabelo embaraçado quando me permitia te bagunçar. Mas simplesmente não dá pra esquecer. Queria ter coragem pra deixar de observar se você está online e falar tudo que tô sentindo, mas deixa pra lá, nem sei se você sente saudade de mim também. Eu queria poder clicar no teu nome e te escrever o quanto você faz falta, mas por não saber se isso vai fazer diferença na tua vida, por não ter certeza de mais nada e principalmente, por medo de ser ignorado, eu prefiro botar essa saudade no bolso e seguir a vida.

E saudade de bolso dói, sabia moço?

O pior disso tudo é saber que foi eu que coloquei um fim, eu que disse que não queria mais enquanto você não entendia nada, eu que preferi fugir disso quando senti que estava me envolvendo demais e tinha medo de não saber lidar com tudo isso. Foi eu que escolhi parar, porque lá no fundo, eu sentia que a gente poderia dar em alguma coisa, mas o medo de não dar em nada falou mais alto. No fundo, eu fiquei com medo de não conseguir suportar o peso que eu tava carregando e acabei derrubando no chão antes que ele me machucasse.

Não sei dizer se voltaria ou se tentaria tudo de novo, a única certeza que eu tenho agora é que eu sinto saudades, do cheiro, do gosto, da voz, do abraço, de tudo que um dia você foi pra mim, de tudo que você deixou e de tudo que poderíamos ter sido.

 

Escrito por Iandê Albuquerque.

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