Viva de acordo com as suas escolhas e não com a dos outros!

Era uma vez uma menina que tinha tudo para ser feliz. E ela foi. Até que um dia percebeu que aquela felicidade toda não a pertencia, que era o contentamento de outras pessoas projetado nela, assim como as expectativas e os desejos alheios que nela refletiam, mas que não brotavam do seu interior.

Então, numa noite de inverno ela partiu com uma mala e poucos pertences. Levava consigo o que tinha de mais valioso: o seu coração, uns trocados de paz e um sonho de liberdade. Arrastou a bagagem junto com a responsabilidade pela desventura que causaria aos seus dominadores, e ao mesmo tempo, com a leveza de quem, por fim, encontrava o seu próprio caminho.

Escolhas e mais escolhas. Quando não as fazemos, alguém faz por nós, e só nos resta aceitar e interpretar o papel que nos foi dado. Apesar de tudo, a esperança é a nossa fiel companheira e com ela sempre haverá um tempo de parar o jogo, mudar de time, abandonar a partida, descansar ou recomeçar.

As vezes estamos tão imersos numa vida contida, designados diante de uma rotina sóbria, que não percebemos o tamanho do incômodo. Notamos o rombo somente quando o tiro se alastra e nossos pedaços vão ficando pela estrada. Nos tornamos pessoas esburacadas, dessas que a tristeza vai corroendo pouco a pouco, impedindo que a alegria se instale e tampe os furos. Porque mesmo que nos emprestem felicidade, de nada adianta se ela não vir de dentro. Somente quando brota de nós ela é capaz de fechar os buracos da sorte ilusória.

Para que a felicidade nasça no peito é preciso libertar-se do peso que se carrega para agradar os outros, jogar fora os personagens que foram criados para somente dizer sim, abrir mão da cordialidade forçada e da aceitação sem questionamento. Seremos ininterruptamente tristes enquanto não houver uma quebra do comportamento passivo.

Eu sei que é bem comum nos deixar levar pelas situações sem medir os riscos e as consequências que as nossas eleições podem causar. Existem momentos que somos honestamente felizes, desejamos com todo o nosso coração seguir determinado caminho.

Até que as certezas começam a embaralhar e a vida se consuma em uma enxurrada de lamúrias, pesares e arrependimentos. Neste momento você se dá conta de que está cumprindo um papel para que outros estejam contentes, enquanto você se priva da própria glória, se mutila em frustrações, se afunda na sensação de incapacidade para dar um basta, virar a página, mudar o rumo.

O fato é que das mais banais às mais complexas, todas as rotas têm as suas flores e os seus espinhos. Cabe à nós termos força suficiente para desencravar os ferrões, mesmo sentindo dor, e seguir adiante. Seja no solo quente ou em águas geladas, o importante é abandonar o padecimento e buscar outra saída antes que o fel nos sorva.

Mas e aquela menina, o que aconteceu com ela? Ah, ela ousou encontrar a satisfação nos altos e baixos que a nova vida possibilitava. Com menos dinheiro e mais autonomia, poucas cobranças e muita coragem, com escassez de pressão e sem depreciação, com excesso de perseverança e dignidade.

Assim, já sem reproches e pessoas que a tolhessem das suas capacidades e desejos, ela conheceu a felicidade genuína na grandeza do amor próprio, na enormidade dos poucos e verdadeiros amigos. Descobriu que tudo o que tinha de nada valia, que nessa vida só é possível ser feliz quando seguimos o coração.

FONTERevista Bula
TEXTO DEKaren Curi
COMPARTILHAR





COMENTÁRIOS