Vamos fugir?

Vamos fugir?
Para onde?
Para qualquer lugar!
Isso realmente é o que menos importa.

Não dá mais pra ficar aqui.
Essa mesmice é pegajosa e afunda todo mundo.
Os lugares são os mesmos, as conversas são as mesmas.
As pessoas são todas iguais, as músicas, as roupas e os perfumes, tudo repetido.

Você também sente isso? Também sente esse incômodo?
Também sente que tá faltando alguma coisa?
Também sente que tem algo errado, que essa rotina não presta?
De que tudo poderia ser melhor.
De que tem algo faltando.
E pior, também não sabe dizer bem o que é que incomoda?
É, eu te entendo.

O lugar? O lugar não importa.
Só o que importa somos nós.
Podemos fugir sem deixar aviso.
Podemos fugir pro interior ou pro exterior.
Podemos fugir só com a coragem e encarar o que vier.
Sentir o vento no rosto, não se preocupar se hoje é segunda ou sábado.
Vamos pra um lugar onde ninguém conheça a gente.
Onde possamos ser quem a gente quiser, onde possamos ser nós mesmos.
Onde só importa o agora, o momento, a companhia, nossa experiência.
Só precisamos sair daqui, sair da rotina, sair dessa mesmice.
No caminho a gente decide como vai ser.

De verdade, o que você tem a perder?
Amigos sempre serão amigos.
Família é sempre família.
E as pessoas chatas, lugares chatos e todo o resto não te basta.

Então fuja, de verdade!
Deixa a rotina pra trás.
Se reinventa em outro lugar.
Em outras conversas.
Em outra pessoa.
Em outro beijo.
Sem olhar pra trás, não tem nada que te prenda lá.
Se tivesse você não sentiria essa melancolia de se mover pra frente.

Vamos fugir?
Você só tem que ser diferente.
Só tem que se incomodar também com essa mesmice.
Tem que ter também essa melancolia de que a vida pode ser muito mais, muito maior.
E que a gente está perdendo tempo aqui.
Se você for assim até fugir pra sua cama e se isolar do mundo num domingo parece uma boa ideia.

Isso é muito sonhador?
Talvez sim, mas provavelmente não.
Sei que tem outros por aí que sentem o mesmo incômodo que eu.
Sei que tem alguém que também está olhando agora pra janela pensando em fugir.
Porque, afinal: eu tenho os pés no chão, claro, mas isso não quer dizer que minha cabeça não pode alcançar o teto.

Mas e você, quando vai largar a mesmice e fugir?

FONTEDeu Ruim
TEXTO DEHudson Baroni
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