Uma história de amor: Eu, minha cama e minhas almofadas

Eu amo a minha cama; cada parte dela na realidade: o meu edredom que mandei vir do Amazon, é tão suave, as minhas almofadas fofinhas, e é a atitude.

Está certo, é a atitude.

A minha cama é relaxante para C*****o. Deixa-me dormir quando eu quero depois de fazer exercício e antes de tomar banho quando ponho a minha máscara facial, e mesmo quando estou a chorar e a deitar ranho nela.

A minha cama fica ali, seca as minhas lágrimas e abraça-me. Abraça-me quando estou fria e deprimida e quando estou quente e satisfeita. Também não me julga.

Não me julga pelas manchas de pizza, pelos derrames de café e pelos lanchinhos que escondo por baixo das suas almofadas. Ela aceita tudo de maneira feliz. Não me olha de lado ou faz observações ruins quando eu em estado bêbado trago alguém para casa.

Não me pede para fazê-la a toda a hora, é porreiro se eu só quiser ter um dia preguiçoso. Honestamente, eu acho que ela prefere estar por fazer tal como as minhas sobrancelhas estão por fazer, é a minha forma de ser preguiçosa e estar bem, estar por fazer todo o dia é a maneira da minha cama de ser boa sem esforços.

A minha cama também me permite gritar nela. Sim, ela aguenta isso. Eu atiro a minha cara para a minha almofada e grito as minhas frustrações quando as coisas estão a correr mal, e ela apenas ouve e compreende.

A minha cama está lá para mim, de uma maneira diferente da qual os amigos e familiares estão porque não tem outra escolha; porque é um objeto. Não tem planos, ou outros amigos, ou onde ir. Tem sempre que ficar lá.

É confiável e mesmo que esteja lá porque eu paguei por ela e é um objeto que não se pode mover por si própria, é especial para mim.

Ela merece que mais músicas sejam escritas sobre ela, mais agradecimentos num programa de discursos de prémios e mais cartões de aniversários. Podes sempre ter um plano num Sábado à noite e ao Domingo de manha enquanto ela lá está.

Não sendo muito sentimental, mas os amigos são a família que escolhes e a tua cama é o tua amiga que compraste e não consegue deixar-te – e isso é lindo.

A tua relação com a tua cama acaba quando tu dizes que acaba. Quando ela se quebra ou fica muito ténue, não precisas de te sentir mal em encontrar outro modelo. Não tem sentimentos. Compras uma nova e começas o mesmo ciclo.

Tu e a tua cama têm uma história de amor. É uma história egoísta e é um objeto inanimado, mas isso significa que o amor que tens por ela não é real? CLARO QUE NÃO.

É real e é amor.

 

Escrito por Sara Carvalho.

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