Uma cerveja e um amor, por favor

Como já suplicava Caio F. Abreu “Um café e um amor… quentes, por favor!” Mas que vício é esse que as pessoas tem em café? Será que conhecem a cerveja? O saquê? Ou até o Chá Matte gelado de pêssego?  Um vinhozinho? Confesso que me rendo ao café de vez em quando, mas nada que me faça delirar ao ponto de colocar como capa de facebook um suplício por alguém quente. E desde quando ser quente, frio, morno ou gelado são requisitos pra uma relação?

Concordo que o mercado tá pra lá de dar dó e, às vezes, nos rendemos a qualquer um pra suprir nossa carência mofada de tanto esperar pelo tal cara, tal amor, tal dia. Estamos na Era dos solteiros desesperados, que se entregam ao primeiro que aparece usando como justificativa “é o que tem pra hoje”. Não! E se mudarmos nossos desejos? E se pararmos de exigir menos e observar mais? E se pararmos de reclamar que o bonitão vive na farra e nos juntarmos à ela?

Quando você está na pior, bebe o quê? Cerveja. Quanto está feliz e sai pra comemorar, bebe o quê? Cerveja. Quando não tem nada para fazer e sai com um amigo, o que tomam? Cerveja. Se está solteira e posta “hoje a noite é com elas”, saem e bebem o quê? Cerveja. Se estiver fazendo aniversário e sai para comemorar uma data tão especial, bebe o quê? Cerveja. Abriu um restaurante novo. Opa! Bebe o quê? Cerveja. Vai à praia, tá pegando aquele bronze, bebe o quê? Tá, depois da água de coco, bebe o quê? Cerveja. Saiu do trabalho, happy hour com os colegas da empresa, bebem o quê? Café? Não, cerveja. Gente, cerveja é vida!

É super depressivo sair pra beber sozinha, não acha? Chega lá no bar “uma cerveja e um copo, por favor”. Mude sua oração, tem sempre outra opção. E não se assuste com o termo “ele é frio”. Pessoas frias são o que são, porque um dia amaram demais, se entregaram sem pensar. E são essas pessoas as que mais sabem se dedicar a uma relação. Queira alguém que você possa esquentar. Café é pros fracos, começa quente e termina frio. Bléh! Mas, lembre-se: assim como devemos moderar na bebida, no amor também. O uso em excesso faz mal à saúde e causa ressaca. Dores de cabeça, náuseas, pupilas dilatadas e enjoos.

Não existe simpatia que traz seu amor em apenas três dias, nem milagre pra juntar duas pessoas dispostas. A receita é simples, tá bem na sua frente. Uma cerveja, dois copos e entre bebidas, música ao vivo, porção de fritas e troca de olhares – tem sempre almas fervilhando, em corpos gelados. Não tem problema não…  depois do primeiro beijo e do primeiro gole, tudo se aquece. E também não importa, uma vez que cerveja -desde que moderada- e doses extras de beijos longos, fazem bem ao coração.

Companhia boa não precisa ser um viciado em café, nem precisa ser um sommelier de cervejas. Companhia boa é aquela que aceita sair para tomar umas de vez em quando, que saiba apreciar o momento da sua presença, que tenha humor e ria quando você começar a trocar a noite pelo dia, começar a falar sobre um assunto estúpido, conversar com estranhos ou sozinha mesmo, gargalhar do que não tem graça nenhuma ou simplesmente quando tudo ao seu redor começar a girar lentamente e você precisar de uma ajudinha pra se sentar. Não fique com quem reclama do que você faz, fique com quem vai te lembrar na manhã seguinte dos seus micos alheios. Tenha alguém que saiba rir de suas peripécias de uma sexta ou de uma segunda-feira, não importa. Afinal, não existe dia certo para beber… E nem para amar.

FONTESuper Ela
TEXTO DEAna da Mata
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