Um brinde as mulheres diretas

Ela entra sem bater portas e vai direto ao ponto: ou isso ou aquilo. Numa prova de múltipla escolha com ela você não teria opção nenhuma, teria que rebolar um pouco pra dar à ela uma boa justificativa, na lata. Enquanto você fica em cima do muro, ela dispensa os meio-termos: tem pavor de gente indecisa, de se esconder atrás de motivos, de venerar os rodeios. Se você é labirinto, ela não brinca. Aprendeu que não vale a pena bancar Teseu e muito menos o Minotauro. Esses personagens ela deixa pra mitologia grega e eles não cabem nas histórias que ela quer contar.

Ela caminha na sua direção e você sabe que é ela porque treme. Treme mesmo que ela esteja de tênis de corrida ou salto agulha, tremeria mesmo se ela estivesse descalça. Você sente peso e ela se sente leve. Sente que tirou um peso grande das costas ou, se ainda não tirou, vai tirar em breve. A grande vantagem de ser direta é essa: não perder tempo com o que poderia ser. Ou é, ou não é. Não tem 8 ou 80, e ela também não aceita um 40.

Tem quem diga que a vida não é bem, preto no preto e branco no branco, mas quem disse que você precisa definir as coisas assim? Ela é a prova viva de que você pode colorir o mundo do jeito que quiser, com um balde de tinta ou giz de cera, desde que saiba como quer pintá-lo. E se depender de outra pessoa pro mundo dela ter cor, ela se adianta e tira a prova dos nove sem deixar que alguém faça malabarismo com a vida dela. Porque uma hora cai, ela diz, e só quem pode equilibrar a vida sou eu.

Se ela gosta, ela liga no dia seguinte. Se ela gosta mais ainda, ela vai pra cama e ai dele (ou de você) se acharem alguma coisa sobre ela. Se a cantarem e ela não quiser, é não na cara e sai fora, amigo, porque você tá me incomodando. E você vai perceber se ela gostar de você porque ela vai dizer com todas as letras que te quer – e que não quer também. Há quem goste e quem não goste disso. Particularmente eu acho incrível a forma como ela lida com as vontades e se põe em primeiro lugar. Mas quem sou eu pra achar alguma coisa se ela sabe que a dona do mundo dela é… ela.

Uma vez perguntaram à ela o porquê da pressa e ela disse que não é pressa, é que a gente se acostumou muito a dar voltas e mais voltas quando tudo o que a gente quer sempre esteve ali na frente. E depois que aprendeu isso, deixou de se importar com o que pensariam ou com o que ela mesma julgaria errado. O importante era não perder tempo pra ser um pouco mais feliz. E então ela foi. Foi em linha reta e dizem por aí que ela tem sido muito mais feliz do que antes era, quando ainda colocava os outros, a culpa e um monte de obstáculos à frente dela.

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Escrito por Daniel Bovolento

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