Foi ali, aos pés da árvore que faz sombra à sua casa, que nos despedimos de braços dados, de sorriso no peito e sentimento no céu da boca, sem olhar pras nuvens que ameaçavam chover a qualquer momento. E sem dizer nada, porque quando duas pessoas dão choque, fazem tempestade silenciosa sem precisar anunciar.

Mas é daqueles choques bons, desses que arrepiam todos os pelos da nuca e nos faz cerrar os olhos, sem conseguir segurar aquele sorriso que teima em aparecer. É que aqui entre nós existe uma onda de coisas boas, que nos traz para perto um do outro como a maré que beija a praia na lua cheia.

A ressaca do mar passa e fica o respiro, o sopro, a calmaria. É de saudade, é de querer. É de abraçar e só assim ficar, viver. Tem tanta coisa quando os braços se procuram, que poderia fazer versos até amanhã. Agora, porém, vou me limitar a respirar fundo e falar baixinho no teu ouvido que a batida do teu peito combina com o beat da minha alma. Gosto de colar meu ouvido na tua pele e sentir você vibrar. É coisa desse jeito nosso, avoado, que combina com esse nosso jeito de falar sério.

E de falar sério, falamos da vida, pois vivemos a sério os dias de rir de nós mesmos. Há momentos que chamo de viver e ali sim vivemos, entre páginas de livros no topo da prateleira, entre as palavras de nossas histórias e rascunhos em papel de pão. Respiramos alma um do outro enquanto seus cabelos se enrolam nos meus sem perguntar porquê. E nem vem com esse papo de pedir licença. É pra escancarar a porta mesmo sem bater. Não quero fazer meia poesia ou meia rima. Quero transbordar esse copo meio cheio.

De tantos vazios que ficaram, aprendi que não tem hora certa para cruzarmos com pessoas incríveis, que andam com lápis e caderno na mochila para escrever poemas ao nosso lado. E se te vejo em poesia é porque tem gente que deixa uma parte de si e leva um pouco de nós.

E essa parte que ficou vira um texto pra se ler até o ponto.

 

Escrito por Denis Araujo

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