Sobre você

Eu paro pra pensar sobre ti, e um pouco depois, eu sento aqui e te escrevo. Te escrevo não sei porque, eu confesso, mas também confesso que preciso, porque preciso, te dizer essas coisas todas. E eu não tenho muito o que fazer, além de escrever. Eu gostaria muito de poder, numa atitude, num ato meu, poder mudar uma série de coisas, mas não dá. Talvez um dia eu escreva alguma coisa, te entregue e diga, olha só, escrevi isso aqui, tem teu nome, leva contigo. Já parou pra pensar que tu poderia ser francesa, e eu, um plebeu qualquer em algum canto do subúrbio de Londres. Ou que tu pudesse estar ai, bem onde tu está, e eu fosse um americano, chato, mesquinho, tosco. Ou que pudéssemos ser colegas: “oi, tudo bem?”, “bom dia, tá aqui o trabalho que o professor pediu” , “tá certo, obrigado”.

Mas não, a gente acabou sendo exatamente isso, e eu te vi lá, sentada junto das tuas amigas, e me encantei. Isso tem que ter algum valor, tem que ter algum sentido. Te confesso que preciso vir aqui te escrever e descrever, é uma vontade minha, me faz bem e me traz paz. Sei que isso de alguma maneira talvez não seja nada relevante pra ti, ou pro teu dia, pra tua madrugada, pro teu ser, mas, ao mesmo tempo, sei que preciso te descrever. Descrever o teu brilho e o teu encanto. Vir aqui te escrever e te dizer que o teu sorriso é lindo, que o teu olhar é encantador, e que o teu jeito é apaixonante. Eu preciso vir aqui te falar sobre o teu encanto, causado em mim. Te falar essas coisas todas que tu deve estar cansada de ouvir, de mim ou de quem for, porque me faz bem.

Porque é quando eu paro pra pensar sobre ti que eu verdadeiramente me entrego a mim, ao meu sentimento, à exaustão, com gratidão. É quando eu paro pra pensar sobre ti que eu sou, e o que tu disser pra mim ta bom. É quando eu paro pra pensar sobre ti, que eu verdadeiramente encontro o meu lugar. É quando eu paro pra pensar sobre ti, que eu me sinto eu mesmo. E é quando eu me sinto eu mesmo, no ápice da minha sinceridade, que eu percebo, as vezes sem querer, que é o teu encanto, que ilumina o meu viver.

Escrito por Júlio Hermann, colunista do Sábias Palavras.

Escritores-01

FONTESábias Palavras
TEXTO DEJúlio Hermann
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