Sobre o movimento das coisas

Especialmente neste ciclo de hiatos existenciais que ando atravessando, a vida tem me apresentado gente que, assim como essa que vos escreve, já teve que adotar difíceis decisões. Algumas de arranhar a alma, outras de apertar o peito. E é natural que isso aconteça.

Essa troca plural de amostras do ônus e do bônus de nossas escolhas vem de encontro a uma série de coisas que sempre tive como norte. É quando pauso, repenso e reflito o quanto escolher é vasto. O quanto escolher é um ato revolucionário. E isso não é para qualquer um. Diariamente a vida nos atribui novas escolhas, com pesos e medidas diversos. Estejamos preparados.

Escolher é assumir consequências, abrir mão, sair da zona de conforto.

Aprendi, com as experiências que tive, o quanto a nossa autonomia e direito de escolha abrilhantam e enriquecem a nossa existência. E isso, não tem ouro no mundo que pague. É nosso. De cada um. Em qualquer esquina que nos dispusermos a cruzar, encontraremos – entre tantas escolhas disponíveis – tanto a felicidade quanto a frustração. Não há como fugir. Cada escolha é uma renúncia.

Quando optamos trilhar a curva ao invés da reta, quando escolhemos a terra ao invés do céu, quando desejamos o quente ao invés do morno, estamos, sim, nos responsabilizando de sermos alguém, de criarmos o nosso próprio caminho, de construirmos a nossa imagem diante do mundo. E o mais importante: diante de nós mesmos.

Penso que sorte e escolhas bem feitas caminham em estradas opostas. Mas, por alguma benfeitoria do acaso, elas podem acabar se alinhando.

Nossas escolhas, imprevisivelmente também nos escolhem. Por isso é que elas devem refletir naquilo que acreditamos, nos nossos princípios, nos nossos valores. A história que construímos até aqui. Mesmo que nada seja seguro, certeiro e exato, viver é também correr riscos. É pagar o preço que for pelos nossos “nãos” e pelos nossos “sins”, e ir. Mesmo sem saber para onde. Ir. Simples e unicamente.

Sinto uma gratidão imensa ao olhar para trás e enxergar as mudanças que me acompanharam. O autoconhecimento que adquiri, as escolhas que firmei comigo. Sei precisamente os ganhos que tive com cada uma delas e, da mesma forma, as perdas que enfrentei quando assumi as rédeas da vida que eu quis pra mim.

Mesmo que não exista verdade absoluta, eu acredito que o Universo nos responde na mesma sonoridade, grau e efeito das nossas escolhas. E por confiar na mudança, eu escolho o movimento ao invés da estagnação. Eu escolho ser este momento. E fim.

FONTEAmor Ano Zero
TEXTO DEBibiana Benites
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