Sobre namoro, whatswapp e macarena

Já ouviram falar de Jan Koum? Jan Koum nasceu no dia 24 de fevereiro de 1976 em um vilarejo próximo a Kiev a capital da Ucrânia e foi para os Estados Unidos aos 16 anos com sua mãe. Passou frio, fome, viveu aquela infância sofrida igual aquelas que passam no programa do Gugu, a mãe de Koum trabalhava como babá, para sustentar a família. E ele trabalhava como faxineiro em um supermercado para ajudar como podia. E como todas essas historinhas que a gente já sabe o final, ele com sua astúcia conseguiu uma vaga na Universidade de San Jose, entre 2000 e 2007, começou a trabalhar no Yahoo!, onde conheceu Brian Acton, (que mais parece nome de creme de tratamento de cabelo) e juntos, criaram o Whatsapp.

Agora, porque que eu estou falando isso?

Porque eu vivia uma vida boa, almoçava com minha família, conversava com minhas amigas, prestava atenção nas reuniões do trabalho e socializava nas festas, até que de repente, chegou o whatsapp. Ele me conquistou logo de cara e jurou que se eu ficasse com ele, teria na palma das mãos todas as pessoas que eu mais amava ao mesmo tempo.

Sim. Correto. Teria. Mas juntamente também teria uma avalanche de nóias pra Cracolândia nenhuma botar defeito. A ferramenta está aí, na vida de qualquer ser humano, para agilizar a comunicação, encurtar distâncias e baratear as conversas. Pois bem, tudo seria lindo se não fosse o estresse causado pela vontade incontrolável de bisbilhotar a lista de conversas do seu parceiro e, com isso, constatar que ele conversa com váááárias pessoas, o que acaba gerando a maior ‘crise’ com a falta de compreensão no conteúdo das conversas e com a sensação de falta de ‘exclusividade’.

Não há simetria entre o trair efetivo e o desconfiar. As oportunidades para trair continuam menores do que para se desconfiar. Na traição ainda há travas sociais sérias. Mas para se desconfiar basta uma dúvida, um mal entendido e aquela pulguinha marota que dança Macarena atrás do ouvido. Paqueras, encantadores de ego, elogiadores de plantão, adoram o programinha. Periguetes, mocréias e sirigaitas também. Isso sem excluir quase todo o restante do planeta. E o contato? Cada vez mais fácil! Os lugares pra onde foi, os lugares pra onde vai, as novas pessoas pelo meio disso tudo. Afinal, a frase, “você tem whatsapp” soa mais branda do que a “me dá seu telefone”.

Esta prática é levada para relacionamentos. E também para as camas dos casais, os motéis dos apaixonados, os casamentos, os enterros (juro que não tô exagerando) e reuniões. E sempre por meio de cochicho, conversas secretas e escondidas de quem apenas vê que alguém digita. Mas nunca saberá o que é. Ou com quem é. Pronto Sra. Nóia, mais uma conexão perdida. Agora manda a conta dos corações partidos lá pra tecnologia ou pro Jan Koum que tá milionário.

Nada nesse mundo, nem mesmo o mais sofisticado dos aplicativos substitui o olho no olho, o som da risada, a conversa tomando um café ou um drink, o abraço, a pele na pele.

Não podemos deixar que desconfianças tolas atrapalhem o percurso das coisas. Mas também não podemos fazer a felicidade depender do que não depende de você. Tá vai! Bota uma música do Fagner no fundo pra ler o que vou dizer: estar com alguém é construir e rebocar um tijolo por dia em meio à um tsunami: é difícil, trabalhoso, mas depois que tudo passa, as coisas ficam bem mais fortes. E com ar de evolução. Aumenta o volume do Fagner que lá vai mais um clichê: confie em si e jamais faça àquilo que você não gostaria que fizesse com você. Dormir com a cabeça tranquila e poder colocar o celular, sem senha, em cima da mesa sem ter medo que uma mensagem possa chegar a qualquer momento é maravilhosamente saudável. Porém uma coisa é certa! No amor, em algum momento, teremos que acreditar. A esperteza não é pra sempre.

FONTESuper Ela
TEXTO DEMilene Guerra
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