Sobre gênero e liberdade

Se tem uma coisa nessa vida de que eu tenho absoluta certeza, é que nunca teremos a total liberdade. A libertinagem, talvez. Mas, só pra avisar, são conceitos muito diferentes – não são antagônicos, mas certamente não são sinônimos também.

Por que eu tenho tanta certeza que a gente nunca será plenamente livre? Na verdade, pode ser que a gente seja livre depois de morrer. Por se livrar da última coisa que nos prende aqui, o corpo.

A gente tá acorrentado em tudo! Nas leis, nas regras de dentro de casa, nos deveres do cidadão… Não dá pra simplesmente, no meio de um engarrafamento, subir no teto do carro, tirar a roupa e dançar Macarena… Espera aí, você até pode fazer isso, mas possivelmente vai ser preso.

E eu nem sei se fazer isso é uma atitude que liberta… Liberta o quê? De quê? No entanto, eu, na minha opinião besta de uma menina que mal está na maioridade, considera que liberdade seja um conceito mais amplo e muito mais interior do que sair nu na rua.

Por exemplo, não me entram na cabeça os rótulos sociais e os enquadramentos de gêneros…

Se é negro, não presta.
Se é rico, é opressor.
Se nasceu com vagina, é mulher.
Se nascer com pau, é homem.
E se operar é isso, se não operar é aquilo.
Se só se vestir como tal, é não sei o que…

Talvez essa seja a maior prisão na qual a gente se encontra atualmente. E, pior ainda, as grandes são imaginárias. A necessidade de definir alguém em alguma coisa é berrante… A gente tem porque tem que se definir!

Tem?
Por quê?
Quem disse que tem?

Essa coisa de que “é homem ou mulher” é uma tremenda prisão. E uma prisão boba. Pra que ficar perdendo tempo tentando encaixar os outros nas suas celas? Tem outras coisa que caberiam melhor nas nossas celas…

A fome, por exemplo, a fome deveria estar enjaulada a sete chaves.
A miséria, deveria estar trancafiada!

E, veja só, a gente tá preocupado em prender pessoas que só querem se achar.
DEIXA O POVO SER O QUE QUISER! E, aliás, deixa ser inclusive, aquilo que não existe.

“Eu não me identifico com o gênero feminino, nem com o masculino, quero ser uma borboleta purpurinada.”

Posso? DEVO! Quanto mais a gente se livra de alguns preconceitos, mais nossos olhos se abrem àquilo o que é realmente importante. Mais que apoiar a identidade de gênero, bora apoiar cada um ser o que quiser?

Não interessa a formação física da alma, me interessa a alma.

 

FONTEAmor Ano Zero
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