SOBRE ESCOLHAS, VESTIBULAR E REFLEXÕES: A PROFISSÃO QUE DÁ DINHEIRO

Quando ela era criança, seu sonho era ser dentista. Talvez influenciada por seus bonecos que partilhavam desta profissão, talvez por algum familiar que exercia o ofício, bem, na verdade, ela não se recordava de onde a vontade havia surgido. O fato é que, quando perguntaram pela primeira vez o que gostaria de ser, foi isso que ela respondeu.

Depois de muito brincar e imaginar, foi numa conversa qualquer sobre dinheiro que contaram como as coisas funcionavam. Ela ficou chocada: “como assim, eu vou fazer o que gosto e ainda receber por isso?”. A ideia parecia boa demais para ser verdade. Afinal, naquela época, ela enxergava a profissão como uma brincadeira. Ela receberia por estar brincando!

É claro que, até então, era impossível entender todas as responsabilidades decorrentes disso. Quando ela cresceu e precisou escolher para qual curso prestaria vestibular, abriu vários guias e leu atentamente cada título que eles enunciavam, tendo apenas uma certeza: não importava muito o que “daria dinheiro” ou não. Ela faria aquilo que, para ela, seria tão incrível quanto uma brincadeira feliz de criança.

Sim, existiriam custos de uma vida adulta a esperando. Vários deles. Haveria também muito esforço e suor em toda a jornada, mesmo que fosse a coisa mais prazerosa do mundo. É evidente que ela também buscava uma valorização em forma de moedas e notas, como qualquer ser humano, afinal, não dá para viver de amor e pagar contas com abraços.

Se a necessidade batesse mais forte em sua porta, ela saberia que precisaria correr, talvez, para outro caminho – em que os trocados viessem primeiro. Mas prometeu a si mesma que jamais se desviaria daquilo que o coração havia escolhido primeiro. Mesmo que demorasse, este era o fator primordial. Uma hora ela chegaria lá.

E então, um dia, a sua profissão seria aquela que a faria sorrir por dentro e, vez ou outra, fazer com que se sentisse tal como a criança que ficou lá atrás. Contente por, no fim das contas, ganhar ao fazer aquilo que ama.

 

Escrito por Au Sonsin em Depois dos Quinze.

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