Sobre ciclos, lembranças e o presente.

O presente é sempre o início de um novo ciclo. Hoje, arrumando alguns sentimentos, lembrei de tantas coisas e de como tudo e todos que já passaram pelo meu caminho ainda estão aqui… Hoje eles são eu. Lembrei dos velhos amigos, almas antigas que me ajudaram nessa caminhada. Os novos, os de momentos, lembrei até daqueles para os quais eu fui um porto seguro, ainda assim partiram se desfazendo do meu cais. Lembrei do amor(singular, ainda acho que amor verdadeiro é só uma vez na vida), das paixões, das razões por as quais tive que abrir mão de muitas coisas.

Lembrei do orgulho, aquele velho defeito que nenhum novo ciclo tem ajudado a libertar, mas ao qual tenho dado máxima atenção, afinal esse é um grande mestre em acumular saudades no coração. Lembrei das viagens que eu planejei, prometi e não realizei. Lembrei até dos meus eletrônicos que ocupam espaços físicos, mas não produzem afetos na alma. Lembrei daquele perfume que eu usava quando tinha vinte anos, a empresa que o fabricava não me perguntou se poderia tirá-lo de linha. Talvez, graças à memória olfativa o cheiro seja o único sentimento que a gente possa colocar dentro de um vidro. Lembrei da adolescência, da infância, dos dias em que matar aula era a minha única preocupação.

Lembrei de muitas coisas que não couberam nas minhas lembranças, e por isso acabei dividindo com os outros, mas também lembrei de algumas que eu guardo só pra mim até hoje. Em meio a todas lembranças possíveis, por alguns segundos fechei os olhos e agradeci, prometi tentar ser alguém melhor neste novo ciclo. Lembrei que ainda poderia errar algumas vezes, mas que esses novos erros seriam caminhos para chagar ao “acerto”. Pedi a oportunidade de ver o pôr do sol por muitos e muitos anos, e agradeci por todos que já vi até hoje. Agradeci por estar viva, com amor, com dor, lembranças, felicidades e saudades.

Agradeci pelos caminhos que passei e os que ainda virão. Ser grato por tudo que já passou é essencial quando iniciamos um novo caminho. A gratidão é bagagem nobre no coração, ajuda a encontrar atalhos certos em estradas duvidosas. Estou no início de um novo ciclo, estou andando sobre aquela linha tênue que grita no amanhecer de cada dia: “Carpe diem, quam minimum credula postero.”

TEXTO DELya Coutinho
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