Sobre amores e ex-maridos

O vestido (lindo de morrer). O álbum (repleto de amor e alegria). A lingerie, o vídeo, os cartões amadíssimos que vieram nos presentes. O anel (ah, o anel!) e o sapato que só veste pé de noiva… A caixa de fotos extras, que não couberam no álbum. Resquício de nós dois que vagam de fundo de armário a fundo de gaveta e deixam aquela eterna dúvida: peso ou herança? É peso quando, de amor novo, é preciso conviver com o fato de que agora (e nem nunca mais) vou fazer uma festa de casamento. É herança quando, de coração partido queremos ver aquele sorriso ingênuo e plenamente feliz que um dia habitou nosso rosto. É peso quando mofa e é preciso uma dedicação extra para a devida limpeza ou quando nasce uma criança e toda e qualquer gaveta é disputada a tapa. É herança quando vamos lá ver a carinha de alguém que já não está mais entre nós.

É trambolho e é também memória, depende do dia. Mas é história. É o filho que não tivemos, os anos que juramos passar juntos e não conseguimos. É a prova de que existe amor em SP. É o sorriso da vitória, não a dos que foram felizes para sempre, mas a dos que conseguiram não se odiar na separação. Cacarecos que preenchem nossa linha do tempo offline nos lembrando que o importante é amar e não necessariamente celebrar, fotografar ou postar esse amor.É a prova de que envelhecemos e com isso, evoluímos.Todo aquele circo, toda aquela euforia (linda) é o fio que nos conduz auma ingenuidade que, talvez, tenhamos perdido ou socado no fundo alguma gaveta qualquer.

Sim, isto é uma declaração de amor ao que fomos, mas também ao que nos tornamos. É uma declaração de amor para o ex, mas, principalmente, para nossos amores de hoje que, “com sabor de fruta mordida”, já não precisamos alardear pra ninguém.

FONTERevista TPM
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