Seja você mesma

Eles se conheceram numa noite quente, num bar apertado, com amigos em comum e muitas tequilas. Ele ainda estava com a roupa do trabalho, calça social e camisa. Ela tinha passado em casa, estava com um vestido floral e bem perfumada. O papo rolou solto e se encantaram um pelo outro. Ali nada aconteceu. No final da noite cada um seguiu seu caminho.

Outros encontros aconteceram, o papo era sempre descontraído e ela estava cada vez mais encantada. Uma tarde, tomando um chopp gelado eles ficaram juntos. Foi mágico, intenso e diferente de tudo que ela já tinha sentido. Era especial. Mas o medo, aquele maldito, estragou tudo. O medo da rejeição fez com que Carol deixasse de agir naturalmente. Ela travou. Não sabia o que dizer, não sabia o que fazer, não sabia como dançar, não fazia mais piadas, não ria com vontade, não contava mais histórias antigas, não vestia mais o jeans velho… Deixou de ser ela mesma. Para não ser rejeitada, escondeu o que tinha de melhor. E claro, com o tempo Ricardo, o Rica, foi perdendo o interesse. Não era por essa Carol que ele tinha se encantado. Ele sentiu falta dos olhos brilhando, do riso, da tagarelice, das doses de tequila… Essa nova Carol, polida, que falava apenas o necessário, que tinha cada movimento calculado, não tinha mais graça. As coisas foram esfriando e deixaram de acontecer.

Carol, insegura e sentindo que havia sido mesmo rejeitada, sentiu-se culpada e sofreu. Eles tinham criado uma ligação tão legal! O que foi que deu errado? Oras Carol. Você estragou tudo. Se escondeu atrás do medo e, em vez de atrair, repeliu o rapaz. Quem quer se relacionar com um robô que calcula todos os passos, palavras e movimentos? Onde foi parar a Carol divertida, solta, feliz, segura e de bem com a vida? Você construiu o castelinho de areia e a onda passou derrubando tudo.

O tempo passou, eles se viram outras vezes e acabaram se tornando amigos. Viajaram, foram em festas, encontros, aniversários, beberam, riram e até dançaram uma vez. E de repente, não mais que de repente, Rica estava de novo olhando para Carol com encantamento e decidiu que ela era mesmo especial. Quando ficaram juntos de novo Carol não entendeu nada. Como poderia tudo que já tinha dado errado voltar à tona e acontecer de novo? Por que, entre tantos homens no mundo, justo o Rica tinha voltado? Por que eles tinham ficado juntos outra vez? Carol já tinha desistido!

Carol, quando você desistiu e se tornou apenas amiga dele voltou a agir com naturalidade, voltou a ser você mesma. E é, exatamente, por essa espontaneidade que o Rica se encanta. Se esconder só afastou ele de você. Mostre sempre quem você é de verdade, quem gosta de você deve admirar suas qualidades e até os seus defeitos. Jamais deixe de ser você mesma. Não vale a pena. O medo nunca te ajuda. Ele existe, justamente, para atrapalhar.

Sua personalidade, sua essência, seu carisma, sua espontaneidade… São essas coisas que irão atrair as pessoas pra você. Não apenas os homens, mas amigos, colegas, familiares… Os verdadeiros atraem os também verdadeiros. A mentira, a máscara e o fingimento, motivados pelo medo, vão repelir as pessoas que você mais gosta.

Se ame, se aceite e permita que as pessoas conheçam você de verdade. Apaixone-se por você que muitos Ricas também se apaixonarão.

Escrito por Monika Jordão, colunista do Sábias Palavras.

Escritores4-01

 

FONTESábias Palavras
TEXTO DEMonika Jordão
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