A ciência aos poucos vem descobrindo que o Universo está constantemente se transformando, tudo se renova, tudo está se recriando o tempo todo. Assim funciona no nível cósmico, e a astronomia já verificou que com muita frequência nascem novas estrelas, galáxias se formam e se expandem, nada é igual do que foi minutos atrás. No ramo da biologia já foi constatado que as células do nosso corpo se renovam a cada instante. Os grandes mestres espirituais sempre trouxeram à humanidade uma mensagem de renovação, de transformação na nossa forma de ser, de agir e de enxergar as coisas. Porém, parece que existe uma dificuldade nesse sentido e facilmente podemos perceber que as diversas áreas da psicanálise encaram essa dificuldade todos os dias, pois que lida com um problema recorrente ao ser humano de uma forma quase generalizada: a resistência do homem às mudanças!

 

Não sei bem o porquê, mas parece que todos temos medo daquilo que é novo, daquilo que vai nos obrigar a sair da velha zona de conforto. Talvez o medo seja o grande vilão da história, mas não podemos nos esquecer de que ele só existe porque nós mesmos o alimentamos. Sem nossa contribuição ele não existiria. Então o que fazer? Qual a receita? Creio que só exista uma forma e essa forma é encarar o medo de frente. Não me refiro aos medos superficiais que nos acometem todos os dias, pois na verdade só existe um medo que é o pai de todos os outros: o medo de nos entregarmos ao sábio fluxo da vida. Muitos dizem que devemos tomar as rédeas da vida e fazermos dela o que quisermos. Faça isso e cedo ou tarde acabará frustrado, pois a vida não tem qualquer obrigação de atender aos nossos anseios. Essa noção de levarmos a vida ao invés de sermos levados por ela ocorre pela nossa incapacidade de percebermos que somos partes indissociáveis de um permanente fluxo universal, e isso nos mantém reféns, tirando-nos a possibilidade de enxergarmos que a vida muda e que o nosso papel é mudar junto com ela.

Essa é a grande diferença entre a cultura ocidental e a oriental. Nós ocidentais, somos excessivamente lógicos, racionais e analíticos. Isso não ocorre no oriente, lá a prioridade não é raciocinar, mas sentir; lá a prioridade é estar em harmonia com a vida e não contra ela; lá a prioridade é o amor e não a lógica ou o julgamento. A consequência disso só pode ser a sincronia com o fluxo natural da vida. Olhe ao redor e perceba como a natureza de um modo geral conspira para o equilíbrio, o desequilíbrio só existe na raça humana, na raça que se intitula racional. Você tem todo o direito de tentar entender a vida, mas você irá perceber que a mente racional não terá muita utilidade para isso. Foi por isso que a natureza nos presenteou com o coração, pois cá entre nós, só o coração é capaz de entender a vida. Não existe nada mais irracional que a vida e é por isso que só o coração é capaz de entendê-la, pois só o amor é capaz de ser quase tão irracional quanto a vida. Sorte nossa, pois só o amor pode nos dar a coragem de abandonar tudo o que somos para sermos ainda melhores.

Nós pensamos demais e sentimos muito pouco – Charles Chaplin.

 

Escrito por Leandro José.

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