Relacionamentos por livre e espontânea pressão

Duas pessoas se conhecem, há interesse mútuo, a vontade de estarem um ao lado do outro vai crescendo cada vez mais, e quando se dão conta já estão transbordando de amor.
Sempre imaginei que relacionamentos começassem assim, que essa era a única maneira de ter alguém ao lado e que só assim se construía amor, companheirismo e obviamente felicidade, mas recentemente me deparei com um outro tipo de relacionamento: os que só acontecem depois de muita pressão.

Tenho um amigo que só foi assumir um relacionamento depois de 9 meses saindo com a menina.
Uma amiga que precisou insistir no mesmo cara por 2 anos, para finalmente ser elevada à categoria de namorada. Categoria essa que só durou 6 meses.
Conheci também um casal que não andavam de mãos dadas na rua, não se apresentavam como namorados, não trocavam carinhos em público, mas dormiam todas as noites juntos e se comportavam como um casal normal em casa ou em lugares fechados na presença de amigos íntimos. Esse casal me intrigou e quando perguntei ao amigo que tinhamos em comum sobre a relação deles, soube que o motivo por não terem ainda oficializado era porque ele a considerava muito feia e tinha vergonha dela. Fiquei chocada, fiquei revoltada e depois fiquei com nojo. Alguns anos já se passaram desde o meu primeiro contato, mas soube que nada mudou entre eles. Ainda estão na mesma situação e ela ainda insiste e tem esperanças de ser finalmente valorizada e de um dia evoluírem para um relacionamento sério, sem que precise permanecer escondida nas vergonhas daquele rapaz imaturo, inseguro, e completamente babaca.

O que todas as histórias tem em comum é uma pessoa tentando ganhar o prêmio máximo – a outra pessoa – não por ser a melhor opção, mas por ser a única. A única opção a insistir por tanto tempo, a única opção a fazer de tudo por aquela pessoa, a única opção a aguentar tão pacientemente a espera desse convencimento emocional.Será mesmo que amor pode ser gerado por pressão? Será que é possível convencer o amado a amar de volta?

A tática se baseia no “acabar virando”. O que o pressionador quer não é necessariamente o amor, mas apenas a outra pessoa. De qualquer jeito, com qualquer sentimento, com qualquer intenção. Seja amando ou não, o importante é ter a pessoa. E do outro lado o pressionado acaba cedendo à pressão não porque deu valor àquela pessoa, não porque descobriu que a ama, mas por ser conveniente e comodo diante da situação dos dois.

Há outro fator também que todas as histórias tem, ou terão em comum: a forma como elas acabam.
Todo mundo quer se apaixonar, todo mundo quer se sentir embriagado de amor, todo mundo quer estar com a única pessoa que gostaria de estar, e o que acontece é que relacionamentos que começaram por livre e espontânea pressão chegam ao fim quando o pressionado encontra alguém que desperta, ou com possibilidades de despertar, essa paixão nele. O comodismo vai por água abaixo quando há a possibilidade de um amor fresquinho, saindo do forno, na porta ao lado.

O pressionador prefere não pensar nessa possibilidade. Acha que algo prenderá o outro. Talvez os anos de luta, o amor oferecido ou a lealdade, mas aqui vai uma verdade: Não importa o quanto você ofereça ao outro. Se ele não te amar de volta, mais cedo ou mais tarde ele irá embora.

Não existe uma receita para ser amado. Não existe uma fórmula matemática. Cada pessoa se apaixona por determinadas características, de determinadas pessoas. O amor ou é ou não é, simples assim. E quando não é, não há santo, não há prova, não há convencimento que mude isso.

Fonte: Marina Barbieri

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