Reconstruindo o que se quebrou

O relacionamento acabou. Não foi um término amigável. Não chegou ao fim. Não foi melhor assim. Não foi vontade mútua. A verdade é que você levou um pé na bunda. Foi jogada para escanteio. Foi nocauteada para fora do ringue. Levou um metafórico soco na barriga e agora faz força até para respirar.

Reconstruir os cacos depois de uma queda tão bruta não é tarefa fácil. É como quebrar um copo no chão da cozinha e ver milhares de pedacinhos minúsculos voando para todos os cantos. Como consertar agora? Como juntar cada pedaço em seu perfeito lugar?
Com um simples copo a gente vai lá e joga fora. A gente compra outro. A gente substitui. A gente troca.
Mas e quando o que se quebra não é um objeto? E quando o que se quebra somos nós mesmos?

Não dá para nos jogarmos fora. Ninguém vai substituir você. E diante da impossibilidade de uma troca, só resta uma única alternativa: o conserto.

Não tem jeito. Por mais que você queira permanecer esparramada o dia inteiro no chão da cozinha, sem vontade de levantar, de sair, de viver, de superar, você vai ter que fazer uma forcinha para varrer os caquinhos e começar a juntá-los novamente.

Eu sei, depois da queda alguns pedaços de você se perderam de vista. Uma auto estima embaixo da geladeira, um amor próprio atrás do fogão, uma confiança dentro da areia dos gatos. E por mais que você varra o chão 200 vezes, sabe que ainda passará longos meses cortando desavisados pés descalços que se atrevem a desbravar a cozinha mais desolada do prédio. E não são raras as vezes em que o pé desavisado é o seu próprio.
Mas quer saber? Está tudo bem também. O corte de hoje vira a cicatriz de amanhã.

Por mais que demore, por mais que pareça impossível, por mais que seja difícil de saber até por onde começar, reconstruir-se é necessário, é possível e é maravilhoso.

A reconstrução é uma tarefa de auto conhecimento. É quando você encara de frente cada partezinha sua que foi jogada para longe e antes de bota-la de volta ao seu lugar, você a observa, você a molda e você a ama.
Reconstruir-se é fazer as pazes consigo mesma. É enxergar-se por outro ângulo. É jogar fora o que não agradar aos olhos e abraçar o que for lindo. É saber quem você é e se orgulhar disso.

Às vezes precisamos perder para ganhar. Perder um amor, perder uma chance, perder sonhos, perder a auto estima. E depois disso – depois do processo de reconstrução que toda perda causa – o ganho é incalculável.
Você ganha mais de si mesma e no final das contas, quando a perda não importar mais, a gratidão tomará conta de você.
E você será grata a vida por ter levado embora o que era para ir, deixar o que era para permanecer, e abrir espaço para aparecer o que era para entrar.

Confie no tempo. Ele é a cola universal para as dores da alma.
Confie em você mesma. Você é mais capaz do que imagina.
Confie no amanhã. Ele te surpreenderá.
Confie. Simplesmente confie.

FONTEDeu Ruim
TEXTO DEMarina Barbieri
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