Quando a gente começa a se envolver.

Você fica, conhece a pessoa, gosta, se envolve, começa a sentir ciúmes e um bocado de sentimentos estranhos e aí bate um medo danado né? Você não sabe o que fazer quando sente que um sentimento cresce desproporcionalmente dentro de você. Você não sabe se continua ou se foge. Quando menos percebe, você se pega stalkeando a vida daquela pessoa sem ter noção do tempo, acorda com vontade de falar com ela e só consegue dormir tranquilo quando sabe que ela está bem. É um negocio doido que começa a bagunçar lá dentro da gente, né? A gente não sabe o que essa bagunça vai causar no final das contas e é essa incerteza que faz a gente querer correr pra longe, sumir, desaparecer.
Quando você menos percebe, a saudade bate na porta pra te tirar o sono, você lembra daquela pessoa a todo momento e quanto mais tenta tirá-la da cabeça, mais ela parece se multiplicar como um vírus. O sorriso daquela pessoa se torna o remédio pros teus dias ruins, você passa a querer estar junto, a sentir necessidade de ver, ouvir, conversar. Você começa a construir expectativas e é exatamente aí que mora o perigo.

Você começa a sentir que precisa ter noticias daquela pessoa porque de alguma forma, o silêncio e a distância incomoda. Quando o outro simplesmente some, isso te confunde. Quando o outro se ausenta, isso te machuca como uma adaga cravando no teu peito. Quando o outro simplesmente não consegue superar as tuas expectativas, até mesmo aquelas mínimas expectativas como uma mensagem de ”Bom dia”, ”Quero te ver”, ”Tô com saudade de você”, as coisas começam a desmoronar aos poucos.

Você espera que o outro te faça bem e não tem nada de mal esperar isso de alguém. Mas nem todo mundo vai agir como a gente espera, sabe? Paciência! Você não sabe se permanece ou se pula fora. A maioria das pessoas escolhem fugir por medo de se envolver. Eu já escolhi fugir mesmo que a minha vontade fosse de me envolver ainda mais. Eu já fui embora por medo, sabe? Por medo do que o outro pudesse fazer com os meus sentimentos, por medo de sair da areia e acabar me afogando, medo de que eu me perdesse pra tentar encontrar alguém e depois esse alguém fugisse de mim – e foi por isso que eu fugir antes.

Mas confesso, se o outro soubesse o quanto eu queria ficar, ele jamais deixaria eu ir. Quando eu disse: “acho melhor a gente parar por aqui”, eu queria na verdade ter dito: “Eu tô com medo disso que tô sentindo”. Só queria que o outro fosse abrigo pra eu entrar e sair de lá só quando todo o medo fosse embora.
FONTEIandê Albuquerque
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