Preste atenção, o amor da sua vida pode estar à sua volta

Custou, mas aprendi a te amar. Não que fosse algo difícil – quem dera -, você sempre foi apaixonante. Sei das suas histórias na pré-escola e sobre o afloramento sexual precoce daqueles seus coleguinhas, também sei da referência que você sempre foi para as outras garotas do ensino médio. A verdade é que nunca houve motivos para não te amar, e mesmo assim eu custei a perceber isso.

Não por você viver de queixo erguido e ter pulso firme, sequer por você saber o que quer e, como dizem, não levar desaforo pra casa. Essas suas particularidades faziam com que os outros meninos te amassem e odiassem ao mesmo tempo, mas nunca foram relevantes pra mim. Você sabe, eu não era muito sociável, mas nem por isso você deixou de prestar atenção naquele cara da outra turma, que por um acaso preferia vôlei a futebol, o seu esporte favorito. E, quer saber? Foi isso que fez toda a diferença.

A diferença, geralmente usada como desculpa escusa para aflorar guerras, foi a nossa maior aliada. Os seus olhos curiosos não se contentavam com as certezas, mas buscavam entender o mistério, o divergente, o incomum frente às normalidades. E foi assim que, naturalmente, você me notou.

Sua mordida nessa sua boca carnuda e sua mania de cerrar os pulsos, sempre que queria falar algo mas não sabia muito bem como se expressar, passaram a ser minhas manias favoritas. O seu cheiro agridoce logo ao acordar pela manhã, depois de uma longa noite na qual tomamos banho juntos, virou meu hobby predileto. A sua presença a cada momento no qual eu precisava muito de um consolo, tornou-se meu vício mais intenso. A sua mera existência fez toda a diferença, a ponto de me desesperar a mera ideia de que fosse possível ter uma vida sem sê-la ao seu lado.

Alguns amores duram o que tem que durar, outros perpassam as barreiras do tempo. O nosso, nem tanto ao céu nem à Terra, mas pleno na medida do equilíbrio, experimenta a dor e a acolhe, usufrui do prazer e o dissemina. Temos ciência dos defeitos, somos conscientes das qualidades. Não importa o ponto de vista, o fato é que sempre, irrevogavelmente, concluímos que valeu a pena termos olhado para o lado, naquela tarde de recreio.

FONTEAmor Ano Zero
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