Perca-se, mas não de si mesmo

“Perder-se também é caminho.” (Clarice Lispector)

 

Em algum momento de nossas vidas, será inevitável adentrarmos alguns dos desvios de caminho que se abrem por entre a nossa jornada. Impossível andarmos corretos, seguindo regras e sendo racionais o tempo todo, pois somos humanos e, portanto, passíveis de falhas , erros, inseguranças e temores. Cedermos às fraquezas será preciso, para que amarguemos as consequências dolorosas dos desacertos e retomemos nosso caminhar mais fortes e sábios, bem como mais seguros quanto à verdade daquilo que queremos para nossas vidas.

Embora haja escolhas por demais nocivas e perigosas, como as drogas, por exemplo, sair do prumo é preciso, no sentido de que o enfrentamento do submundo das escuridões que nos rodeiam e existem também dentro de nós trará a noção exata do que e de quem deveremos evitar e nos aproximar. As certezas podem até trazer segurança, mas carregam-se de mesmice, de comodidade passiva e são incapazes de incitar-nos à reflexão contínua e necessária frente ao mundo circundante. É preciso aprender e reaprender, sempre.

Para que possamos sair de nosso centro emocional e retornar com maiores possibilidades de êxito, necessitamos sempre nos guiar pelas nossas verdades, em sua inteireza, sem dissimulações ou simulacros. Para tanto, não poderemos sucumbir às opiniões contrárias, muitas delas agressivas e violentas, tampouco ao temor diante do desconhecido; caso contrário, ainda que mais tranquilos, estaremos fadados ao tédio nada enriquecedor de uma existência formatada.

É difícil conquistarmos nosso lugar onde estivermos, em casa, no trabalho, na rua, uma vez que a intolerância é a tônica que move a sociedade de hoje e, a partir do momento em que nos dispusermos a transformar o nosso íntimo em tudo o que nos define como pessoa, certamente ouviremos reprimendas e sentiremos a frieza da não aceitação alheia. No entanto, poderemos ter a certeza de que quem e o que permanecer será tudo o que alimentará a nossa felicidade.

Diga o que pensa, viva o que sente, respire o ar da transparência, aja conforme o ritmo dos seus sentidos, ame quem atrai e soma, seja você mesmo, nada menos do que isso. O preço a pagar pelo sufocamento dos sonhos é uma vida vazia, um existir sem pertencer a nada nem a ninguém. Porém, viver as próprias verdades implica o alcance de tudo o que é nosso por direito e merecimento.

Perca-se, mergulhe nas incertezas, amargue a dor da decepção da colheita, ame muito, sempre respirando as esperanças que carrega dentro de si, pois o amor somente nos preencherá quando formos verdadeiros. E então estaremos sendo alguém que errou, mas se tornou mais feliz, mais humano, mais gente.

FONTEObvious Mag
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