Para uma mulher

Mulher, eu gostaria de falar com você.

Sabe, vivemos tão rodeadas por padrões de comportamento e beleza, entre tantos outros, que chegamos a um ponto em que dizemos a nós mesmas: eu não sou boa o bastante.

Você já pensou que não era suficiente? Você já questionou sua inteligência? Você já se olhou no espelho e teve repulsa? Você já se perguntou como deveria agir diante daquele carinha para que ele gostasse de você? Você já negligenciou sua própria personalidade em nome do que é aceito pela sociedade? Você já disse não aos seus impulsos em nome da família e dos bons costumes?

Pois então. Este texto é para você.

Às vezes, somos levadas a nos considerar verdadeiros patinhos feios (e não me refiro, aqui, unicamente à beleza). Tudo ao nosso redor colabora para que tenhamos uma visão pejorativa de nós mesmas. As capas das revistas, que nos mostram padrões inalcançáveis. Os filmes mainstream, que relegam à mulher uma posição subalterna, e fazem questão de mostrar que tipo de arquétipo feminino vence no final. Os telejornais, que, ao noticiarem as tragédias de violência de gênero, em vez de promoverem debates e críticas, só reforçam a ideia de que somos frágeis e devemos nos poupar, abrindo mão de nossa liberdade em função de uma suposta segurança. E, com isso, nos contentamos em ser menos do que podemos – não ser quem somos.

Outras vezes, a imposição de comportamentos vem de nossa própria família e de nossos amigos. É feio chegar em casa de manhã. É errado transar com um desconhecido. É degradante tomar a iniciativa. É coisa de puta sair com vários ao mesmo tempo. É coisa de vadia usar aquela roupa. Mas não, não exagere: você também não deve ser uma santa. Tem que ser dama na sociedade e puta na cama, não é mesmo? Tem que seduzir sem ser vulgar, mostrar aqui e cobrir ali, saber satisfazer seu macho – e só ele.

Mulher, sim, você mesma: sei que não é fácil, mas apague todos os rótulos e regras de sua mente. Ou melhor: tenha conhecimento de que os mesmos existem, mas reconheça sua invalidade. Porque os padrões a que somos submetidas são simplistas demais para expressar toda a variedade que nos constitui. Porque mulher é todas e é única.

Mulher, ame seu corpo. Seja ele magro ou gordo, atlético ou com gordurinhas, é dentro dele que você mora. Aprecie sua morada. Se quiser engordar, engorde; se preferir emagrecer, emagreça. Mas faça isso porque você quer, e não porque alguém disse.

Mulher, ame seu rosto, seu cabelo, sua pele, seus traços.

Mulher, seja o que você quiser. Você sabe que não deve se esconder atrás de uma máscara de convenções. Trabalhe fora, se desejar. Cuide da casa e dos filhos, se preferir. Tenha um parceiro fixo, se isso lhe agrada. Durma com vários, se é o que lhe dá prazer. Case ou fique solteira, apaixone-se ou não se apegue, vá pra balada ou fique em casa assistindo Netflix, beba um chope ou um suco, coma uma salada ou uma pizza, fale muito ou pouco, assista a novelas ou a filmes cults, leia romances de banca ou clássicos. Pouco importa, mulher, porque você deve apenas ser.

Mulher, não dê ouvidos ao homem que porventura tente te diminuir: dê-lhe um belo chute na bunda. Nunca acredite que você é pouco. Você é muito, mulher, só por conseguir sobreviver em um mundo tão hostil.

Mulher, olhe para dentro de si mesma e note sua beleza. Você é bela pelo simples fato de ser você. Admire-se. Vanglorie-se.

Ame-se, mulher. E não vou concordar com aquela frase clichê que diz que só podemos ser amadas se nos amarmos em primeiro lugar. Não, é bem possível que sejamos amadas mesmo se não nos amarmos. Mas é ruim. Porque quando não nos amamos, não aceitamos o amor do outro, porque não o compreendemos, porque não achamos que o merecemos. Mas, mulher, você merece e muito, porque você é o melhor que poderia ser (e, caso não tenha alcançado, ainda, seu potencial, provavelmente é porque tem incutidas em si essas ideologias que tentam nos diminuir).

FONTEObvious
TEXTO DEBianca Pinheiro
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