Os fracassos ensinam mais do que as vitórias

Aprendemos mais com as derrotas do que com as vitórias!”, disse-me um sábio bebum, em uma mesa de bar. E quem sou eu para dizer que ele falou alguma besteira? Ninguém. Aliás, as muitas portadas na cara que a vida me deu – e o tanto que aprendi com elas -, definitivamente, levam-me a concordar com a afirmação feita pelo sábio embriagado.

Lidar com a vitória é algo muito fácil, qualquer camundongo de olhos vermelhos consegue. Encarar o fracasso é outra história, bem diferente. E sabe por quê? Porque os fracassos nos colocam diante de difíceis encruzilhadas, nos obrigam a escolher entre um caminho fácil – mas que NUNCA nos levará a lugar algum – e uma rota que, apesar de difícil e dolorosa, é a única com algum potencial de nos colocar no pódio da vida.

Qual é o caminho fácil, mais utilizado e que eu não recomendo caso você queira evoluir na vida? Inventar uma desculpa. Já perdi as contas das vezes em que alguém, após uma derrota, disse-me algo como: “Se o juiz não tivesse metido a mão, eu teria sido campeã!”. Ou coisas ainda mais absurdas, do tipo: “Eu mandei mal na prova porque estava no ápice do meu inferno astral!”. Ou ainda: “Eu estou sozinha porque os homens não prestam!”. Você já deve ter ouvido algo assim, estou certo? E você, muito provavelmente, já disse – ou ainda diz! – coisas parecidas. Se diz, pelo seu bem, pare com isso! Ou acabará como a tenista que, de tanto que culpou injustamente o juiz e a direção do vento, nunca percebeu que precisava treinar mais o saque para conquistar um ouro. Ou como a moça que, de tanto que vive a colocar a culpa nos homens, não tem tempo para perceber que a insuportável da história é ela. E que insuportáveis, geralmente, acabam sós.

Nem preciso dizer qual é o caminho que recomendo que siga depois de um fracasso, né? Preciso? Quando algo der errado, controle a vontade de livrar a própria barra e, sem medo de descobrir que você foi a principal responsável pelo seu insucesso, faça uma autocrítica honesta, sem medo de apedrejar o próprio ego. Tenha coragem de enxergar as besteiras que fez/disse e de aceitar que elas foram as principais responsáveis por algo não ter dado certo. É doloroso, eu sei. Não é fácil descobrir graças a um replay – ou à lembrança de um relacionamento que terminou aos prantos – que o fracasso não teve nada a ver com a condição do gramado ou com o “timing”, como você afirmou por aí. Mas é a única maneira de aumentar as suas chances de vitória em um novo jogo, relacionamento ou em qualquer outra coisa em que você queira ser bem-sucedida. Entende?

Ao invés de mandar um covarde “Ele foi o culpado!”, sem ao menos saber se realmente foi, tenha coragem de dar uma resposta sincera às seguintes perguntas: “Quem foi o real culpado?” e “Por quê?”. E, se por acaso descobrir-se a principal responsável pelo fracasso, faça-se mais uma pergunta: “O que eu poderia ter feito de diferente?”.

TEXTO DERicardo Coiro
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