Ombro amigo

Ei, menina. É! Você!. Você aí sorrindo, mesmo com tantos motivos para chorar. Você com vontade de chorar, mesmo com tantos motivos para ser feliz. Posso ser seu amigo? Vai, deixa! Sente aqui ao meu lado. Podemos conversar. Eu sei que você está precisando de um ombro confiável. Pode se abrir comigo. Prometo não trair a sua confiança. Prometo não misturar as coisas. Prometo não me apaixonar. Prometo, principalmente, não fingir que me apaixonei. Não vou usar as suas fraquezas contra você. Não vou jurar ser diferente e no final fazer tudo igual. Pode se abrir comigo. Confie em mim. Gostaria que você, nem que fosse por um instante, parasse de fingir que está tudo bem, que tem tudo sobre controle, que não tem medo do que está por vir. Vai menina, desce do salto, limpe a maquiagem, escolha uma roupa bem confortável e, quando estiver pronta, tente me explicar. O que você está esperando para ser feliz? Olha, eu sei muito bem que você não gosta da dor. Ninguém gosta. Mas, para mim, que vejo tudo aqui de fora, parece que você, quase que instintivamente, ainda busca por ela. Quando dá mais ouvido as pessoas que querem o seu mal do que as que te amam. Quando corre atrás do cara que não tem um pingo de respeito por você. Quando se afasta daquele outro que demonstra justamente o contrário. Sua lógica não faz o menor sentido. Quem quer muito te assusta, quem não quer te faz sofrer. Sendo assim não se espante, quando a tristeza aparecer. E eu sei que ela tem te visitado. E quando ela não vem, você faz questão de ir até lá.  Você vai e bate a sua porta. E fica tentando se convencer de que as suas melhores chances foram perdidas. Que a fase mais feliz da sua vida ficou no passado. E assume responsabilidades que não são suas. E o amor próprio passando cada vez mais distante. Você é sempre muito crítica com os seus deslizes e permissiva demais com a irresponsabilidade alheia. Um coração afogado em incertezas. Sabe, menina, eu realmente acho que você se importa demais com quem não está nem aí pra você. Talvez esse seja o seu grande erro. Eu não estou aqui para te julgar. O que eu quero é te ver bem. Posso te ajudar a enxergar o mundo de uma forma diferente. E aí? Posso ser seu amigo? Espero que sim. Desculpe-me a falta de modos para te dizer a verdade. É que, às vezes, um tapa na cara pode fazer um bem maior que um abraço. Tudo o que eu desejo é que o seu sorriso dure até o próximo verão. E, quando o sol voltar a brilhar em sua janela, pode ser que você já não vai mais se lembrar deste inverno. Ei, menina! Posso te fazer um último pedido? Não termine de ler o texto com esse sorriso no rosto. Desse jeito fica difícil sustentar a minha promessa.

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Escrito por Rafael Magalhães
Publicado em Precisava Escrever

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