O suicídio em longo prazo: efeitos e consequências do medo

Os batimentos cardíacos aumentam, as pupilas dilatam, o frio te abraça calorosamente, deixando as palmas de suas mãos suarem frio, a espinha se arrepiar e a barriga congelar. Pronto. Você está mergulhado no medo; é o início do suicídio em longo prazo.

O medo é aquele botão vermelho que vemos em alguns filmes, que coloca toda a empresa em alerta; as luzes piscam, o alarme geme e as pessoas entram em pânico. A mente é maravilhosa. O big boss é tão eficiente e incrível que, sem hesitar,  libera uma forte descarga de adrenalina e te prepara para combater ou evacuar, em outras palavras, lutar ou fugir.

Um dos caminhos mais interessantes da seleção natural é o chamado cérebro reptiliano. Uma parte do cérebro primitiva, irracional e assustadoramente bem influenciadora. A nossa própria evolução subiu ao palco, neste cenário, e fez atos dignos de aplausos: o cérebro reptiliano é o responsável por nossas atitudes mais selvagens, primitivas e instintivas, ele nos diz quão profundamente devemos mergulhar nos nossos medos, ou quão fácil e intensamente vamos nos irritar. Enfim, coisas de homens das cavernas reações primitivas.

Felizmente, eu sou do tipo de pessoa que muito dificilmente adoece. Costumava ter crises de alergia. Costumava (no passado). De alguns anos para cá, sempre que me pegava resfriado ou gripado, passei a analisar os dias que antecediam o início dos sintomas. Fiz o mesmo em relação à alergia. Interessante… Uma vez concluídas as análises, coloquei a teoria à prova, testando-a em outros casos e pessoas. E aí, o que você descobriu? Deu certo? Resumidamente a teoria é a seguinte: quando a pessoa sente-se insegura, ansiosa, preocupada e/ou com medo, ela adoece; e quando a pessoa está incomodada com alguém ou algo, ela entra em crise alérgica. Ainda não tenho uma explicação científica para esta última teoria, embora seus resultados tenham sido bastante promissores. Quanto ao medo, contudo, eu encontrei algo bem interessante.

Além de todos os sintomas citados no começo do texto, o big boss faz muito mais do que somente apertar o botão vermelho. Diante de uma situação de medo e estresse, ele suspende todos os “setores secundários”, numa espécie de gestão de energia – como quando há interrupção no fornecimento de energia elétrica e os hospitais acionam o gerador para alimentar somente os setores mais importantes. O cérebro faz algo semelhante com o nosso corpo –, libera cortisol (hormônio do estresse), adrenalina e, eventualmente, libera aquelas “cargas extras” – afinal de contas, por que você vai levar dejetos consigo numa fuga? Quanto mais leve e menos preocupação, melhor.

Muitas pessoas confundem medo, covardia e coragem. Cuidado! Medo todo mundo tem. Sem exceção. Ponto. Deixar-se ser dominado pelo medo é covardia; enfrentá-lo, por outro lado, é ter coragem. Deu pra entender? Legal.

Há diversos tipos de medo. Tem gente que tem medo de altura, gente que tem medo de aranha, escuro, palhaço, helicóptero, fogo, água… E há, sobretudo, uma diferença interessante entre o medo de quando sua vida está em risco e o medo de quando você está fazendo algo arriscado. Já tinha parado para pensar nisso?

Acredito que o oposto do medo é o amor. Explico: quando você tem medo de se afogar, você mantém-se distante da água (piscina, mar, rio, lago); mas se o seu filho ou um de seus pais estiver se afogando, agoniado e clamando por socorro, provavelmente, você vai saltar de roupa, sapato, medo e tudo, e sem medir esforços, dar o seu melhor para salvar uma das pessoas que você mais ama no mundo. Antes morrer os dois do que vê-la morrer, pedindo ajuda e não fazer nada. É claro que há inúmeras variáveis, mas o cérebro trabalha sempre da mesma maneira. Lembra-se de que ele suspende alguns sistemas secundários? Pois bem, o raciocínio é um deles.

O Grego é um idioma bem interessante porque, dentre outras coisas, tem um cardápio bem mais completo sobre o Amor do que nós temos em Português. Eros, Ágape, Philos… Eu descobri que, semelhantemente, o Hebraico tem uma lista mais densa sobre o Medo. Atenção! Não sou especialista nestes idiomas, mas vez ou outra acabo fazendo algumas pesquisas e leituras, e me deparo com algumas coisas memoráveis. Tenho comigo algumas anotações e gostaria de compartilhar:

Yare é o medo diante de uma situação de perigo; onde você pode perder a vida. É o medo do soldado na guerra, o medo dos israelitas diante de Golias, o medo de um animal selvagem, medo da fúria da natureza (tsunami, tempestades, ciclones…), etc.

Yirah é o medo receoso. É o medo de assumir quem você realmente é, de sair do armário, de adotar novas responsabilidades, de assumir risco/culpa, de enviar a mensagem para aquela pessoa, compartilhar ou postar algo, nas redes sociais que estará exposto aos outros.

Pachad é o sentimento relativo ao terror. Uma tradução que se aproxima poderia ser “pavor”. É o medo que surge durante aqueles pesadelos terríveis, medo sobre sentenças e julgamentos, medo do escuro; é um medo bem biológico e instintivo, grosso modo, automático.

Chârad é a palavra que mais tive dificuldade de assimilar, e posso estar equivocado, mas eu diria que é o medo de uma lei, ordem ou palavra. É o medo de uma bronca que está por vir, o medo que antecede uma situação prevista/pressentida. – Algo neste sentido.
A lista continua…

O que quero chama atenção aqui é: o suicídio em longo prazo, os efeitos e consequências do medo no nosso dia-a-dia. Claro, eventualmente você terá situações de medo (todos os tipos) e isto abalará suas estruturas, mas… Controle, prevenção, preparação, proteção, cuidado, amor! Os terremotos vêm mesmo, e virão, é inevitável, é natural, MAS. É possível se preparar, se precaver, controlar boa parte dos fatos.

Vez ou outra os tremores surgem com uma força sobrenatural e destroem tudo, acontece, faz parte da vida, mas se a cada pequeno terremoto que houver nós ganharmos novas rachaduras nas estruturas, ou pior, perdermos partes de nossas casas e bairros, viveremos sempre entre escombros. É um suicídio em longo prazo! Os terremotos, assim como os erros e os medos, devem nos servir de exemplo e aprendizado. Por que isto aconteceu? Como posso evitar isto no futuro?

Além de sismógrafos e estudos, os terremotos são combatidos com estruturas melhores (materiais, amortecedores, etc.). Nada disso evita terremotos, mas evita estragos futuros. Percebe a diferença? Os medos são como terremotos; o autocontrole é como o sistema de combate. Há várias maneiras de melhorar isto: leitura, meditação, autoconhecimento, acalmando a si, analisando as possibilidades, pensando em soluções…

Pessoa com medo fica doente? O início do suicídio em longo prazo!

Minha avó costuma dizer que “quando a cabeça não pensa, o corpo padece”. Ter autocontrole é controlar a própria vida. Soa meio óbvio, e talvez seja, mas é isso. Quando nos deixamos ser dominados pelo medo, nossas funções secundárias são suspensas, e isto inclui o sistema imunológico – aah, por isso que a sua teoria de que a pessoa com medo fica doente? Sim. – e o raciocínio cognitivo. Sem imunidade e sem raciocínio!

A evolução foi generosa com nossa espécie; felizmente, não dependemos apenas da parte reptiliana para viver, temos também o córtex cerebral, temos a faculdade de cognição, raciocínio, lógica; temos a opção de pensar. Pense nisso.

Pense! A mente é maravilhosa.
Eu sou Liam de Melo e será um prazer trocar ideias com vocês.
Gratidão.






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