O que você perguntaria ao seu ex?

Numa dessas madrugadas bisbilhotando a Internet, dei de cara com um projeto chamado “The And“. Um documentário onde ex-namorados são colocados cara a cara para fazerem as perguntas que quiserem um ao outro e ouvirem as respectivas respostas. Pesado! Intenso! Doloroso! Certo momento me peguei pensando no que eu perguntaria ao meu ex.

Talvez eu perguntasse se algum dia ele chegou a me amar.
Mas a resposta me magoaria.
Magoaria porque mesmo quando já sabemos uma resposta dolorosa, ela sempre dói mais quando saída da boca do outro.
Talvez eu perguntasse por que ele procurava outras garotas enquanto estava comigo.
Mas a resposta também me magoaria.
Magoaria porque não existe nada que ele falasse que pudesse amenizar a sensação de não ter sido suficiente.
Talvez eu perguntasse por que ele nunca nem ao menos me pediu desculpas por tudo o que fez.
Mas mais uma vez a resposta me magoaria.
Magoaria porque eu sei que não devo esperar um “sinto muito” de alguém que nunca sentiu nada.
E a verdade é que a resposta para qualquer pergunta que eu fizesse, me magoaria.
Porque ele não sabe ser honesto e aposto que responderia qualquer mentira confortável com a desculpa de que “estava poupando os meus sentimentos”.
E eu acharia graça que alguém que enquanto tinha uma relação comigo nunca se importou com os meus sentimentos, fingia agora, sem nenhuma relação, se importar.

Por alguns segundos eu questionaria por que aquilo ainda conseguia me afetar, se depois de tanto tempo não havia mais sobrado um pingo de sentimento.
Mas eu sei exatamente o porquê.
Aquilo me magoaria porque eu detesto a sensação de ter perdido o meu tempo.
Não há nada pior.
O tempo é o único que realmente pode ser perdido. Ele não volta mais.
A vontade de amar volta. A auto estima volta. A confiança nas pessoas volta. A felicidade volta.
Mas o tempo não.
E nem todas as pessoas que passam por nossas vidas se transformam em lições, aprendizados ou experiências.
Algumas nunca serão mais do que perdas de tempo.

Já faz muito tempo, mas eu ainda lembro do quanto as minhas dúvidas quase me sufocaram.
Porque a gente sempre quer saber. Por mais dolorosa que seja a verdade, é melhor dita do que escondida.
Mas eu nunca soube.
E não foi por falta de oportunidade de serem contadas.
As oportunidades sempre estiveram lá.
Elas é que não foram aproveitadas.
Então pensando bem, por que eu perguntaria alguma coisa agora?

Logo agora que não há mais nada a ser consertado, sentido, salvado, aproveitado?
Logo agora que finalmente eu consigo olhar para o passado com olhos de passado?
Logo agora que consigo ser feliz como nunca havia sido com ele?
Logo agora?
Agora as perguntas nunca respondidas já não importam mais.

Então não. Eu não perguntaria nada ao meu ex.
Não porque não tenham ficado dúvidas.
Ficaram. Um mar delas.
Mas porque as respostas já não importam mais.

E você, o que perguntaria ao seu ex?

 

FONTEDeu Ruim
COMPARTILHAR





COMENTÁRIOS