O que fazer quando o parceiro deseja sair sozinho?

A resposta para a pergunta que intitula este artigo nunca é fácil e para respondê-la precisamos analisar alguns aspectos, tanto em relação ao parceiro, quanto ao relacionamento e até mesmo quanto a situação em si. Para introduzir a resposta desta pergunta devemos ter em mente que o parceiro existe e já existiu sem você. Ou seja, que antes de vocês terem um relacionamento o parceiro tinha uma vida (que vamos chamar de TU), assim como você também tinha (que vamos chamar de EU) e quando resolveram entrar em um relacionamento, ambos decidiram ficar juntos (surgindo assim o NÓS). Desta forma podemos pensar que o relacionamento existe a partir desta tríade “Eu-Nós-Tu”. Que pode ser bem divergente em diversas situações.

Essa tríade continua a existir mesmo quando existe o relacionamento. Nela é dado ênfase para o “Nós”, mas o “EU” e o “TU” precisa continuar a existir para que o relacionamento não se torne patológico.

Para tentar responder a esta pergunta, a frequência com que ele deseja sair sozinho se faz importante, mas não estamos falando da frequência para compromissos já marcados posteriormente, como por exemplo: se toda terças-feiras ele programou de sair com os amigos para jogar futebol, cartas ou etc. Estes compromissos fixos devem ser conversados entre o casal que quando combinado, torna-se natural. Estamos falando de compromissos que surgem sem aviso e ele decide que quer ir sem você. Se isto está ocorrendo com muita frequência, pode significar que ele esteja desejando passar mais tempo sozinho, podendo também ser um sinal de que algo não está bom para ele no relacionamento.

É importante lembrar que os compromissos em que os parceiros estão separados também são benéficos para o relacionamento. No exemplo dado acima, se o seu parceiro tem um compromisso, ao menos um vez na semana com os amigos dele, isso pode fazer com que ele sinta-se melhor para lidar com as questões do próprio relacionamento. Este seria um momento para reviver o “EU” que ainda existe nele.

Recentemente conversando com uma colega, ela me contou que ficava muito chateada aos domingos, quando o parceiro ia jogar futebol com seus amigos. Ela dizia ficar triste pois sentia-se sozinha aos domingos, fazendo com que ela pedisse com frequência para que o parceiro faltasse o compromisso e ficasse em casa com ela, tendo assim a companhia dele. Com o tempo, esta moça começou a perceber que quando o seu parceiro ia jogar futebol com os amigos ele voltava de muito bom humor e ficava menos estressado durante a semana, mas quando ele faltava o compromisso acontecia o contrário, ele ficava mais estressado e de mau humor durante a semana, irritando-se facilmente.

Assim, ela percebeu que é melhor sentir-se um pouco sozinha no domingo, “deixando” o parceiro ir ao jogo de futebol (algo que ele gosta e é somente dele), para poder ter uma melhor companhia durante a semana (com ele de bom humor), do que pedir para ele ficar e depois ter que conviver com o mau humor dele. Nós podemos afirmar então que a garota do exemplo conseguiu resinificar os próprios sentimentos em relação a saída do parceiro visando melhorar a qualidade do convívio deles, tudo isto através da reflexão.

Podemos refletir então que em alguns momentos é interessante que cada um faça suas atividades de forma separada, sempre que essas atividades façam bem para si próprios. Mas não podemos esquecer que existem alguns momentos em que as saídas começam a se tornar problemáticas no relacionamento. Para que as saídas não tragam tão problemas assim é preciso que elas sejam conversadas entre os parceiros, seja você quem decida sair ou ele.

As saídas que trazem algum tipo de problema para a relação geralmente estão relacionadas a algum problema anterior (ou problemas “inconscientes”) a respeito do parceiro. O principal problema neste caso é a insegurança quanto ao relacionamento ou ao ciúme quanto ao parceiro, que mesmo em atividades comuns de serem feitas separadas podem acarretar alguma discussão. É preciso pensar que existem algumas coisas que precisamos abrir mão quando estamos em um relacionamento. Estas coisas podem ser conversadas entre o casal, para ver o que cada um tolera e, principalmente, discutir o que pode ou não ser feito. Esta conversa é muito importante e as pessoas não tem o costume de fazer.

Deve-se pensar também que é muito importante sempre refletir sobre o que está te deixando insegura no relacionamento, principalmente quando se trata de “deixar” que o parceiro saia sozinho ou não. Entender isto é conseguir lidar melhor com os fatos e até mesmo aceitar melhor a sua própria realidade.

Tente entender os motivos de não aceitar que ele saia e perceba se estes motivos têm realmente fundamentos ou não, tendo sempre em mente que vocês são livres no relacionamento e tudo que ele tem “autorização” de fazer você também tem e o mesmo ocorre para as restrições.

  • Lembre-se: Você NÃO é dona dele e nem ele é seu dono. Não cabe a um decidir o que o outro pode ou não fazer.

Dentro do relacionamento deve existir a liberdade para que o “EU” e o “TU” coexistam, visando sempre a qualidade do relacionamento. É preciso ter um diálogo aberto e sincero dentro do relacionamento, fazendo com que aja o entendimento mútuo do casal, para que nenhum seja prejudicado, ou restringido injustamente. A homeostase só ocorre quando o casal atinge um bom nível de maturidade e diálogo.

FONTECérebro Masculino
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