O que eu faço com as suas desculpas?

Você se arrependeu. Eu sei.
Você errou e agora anseia por um perdão. Eu acredito.
Não pense que desmereço seu sincero arrependimento.
Eu o respeito. Eu o valorizo.
Eu só não sei o que fazer com ele.

Onde eu aplico as desculpas que você me pediu?
Em que receita de bolo se encaixa o perdão que eu adoraria te dar?
No que eu posso transformar as suas palavras que em nada amenizam a minha dor?
Como converter o seu arrependimento em cola e juntar o que se quebrou?

É difícil seguir. É difícil ficar.
Por qualquer caminho que eu vá, a dor virá na bagagem.
É difícil escolher quando não se tem escolhas.
Então para onde eu devo ir?
Como você, o causador da minha dor, tem tanta certeza de que poderá me ajudar?

Eu sinto que preciso te contar que algo mudou em mim.
Uma transformação aconteceu e eu ainda não tenho certeza se gosto dela.
Mas nada do que era permaneceu incólume.
Eu não sou mais a mesma.
Você não me conhece mais.
Eu não me conheço mais.

Não tenho certeza de que você irá gostar de quem eu me tornei. De quem você me tornou.
Nem eu mesma tenho essa certeza, mas o que posso fazer quando a mudança não acompanha botão de backup?
Somos quem nos tornamos.
Não há remédio para o que a vida faz com a gente.
Nossa única saída é aceitar e tentar viver conforme as novas regras.

Infelizmente os meus sentimentos por você não acompanharam essa mudança.
Eu te amo como no primeiro dia.
Eu te amo como quando não tínhamos tantos erros para engolir.
Eu te amo como quando nosso passado não doía e nosso futuro prometia.
Eu te amo como se ainda pudéssemos ficar juntos.
Mas não sei se podemos.
Eu não sei se eu posso.

Porque por mais que algum dia eu consiga te perdoar, como eu poderei perdoar a mim mesma por ter te perdoado?
Você é a clemência que eu não mereço.
Você é o meu crime sem direito a condicional.
Você é a minha sentença perpétua.
E dela eu sempre serei refém.

FONTEDeu Ruim
TEXTO DEMarina Barbieri
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