O que ainda (me) resta

A verdade é que eu te odeio. Mas só porque te amei mais do que pensei ter podido.

Quando você se foi parece que levou todas as minhas chances de amar de novo. Desde que você se foi eu não me senti plena. Os amores que vieram não me satisfizeram como eu esperava. Você me amaldiçoou de alguma forma?

Há palavras suas que permanecem gravadas na minha memória. Você me assombra de uma forma ou de outra, seja pelo bem ou pelo mal. Você é tinta permanente nas telas da minha vida.

Eu fui a primeira a beijar seus olhos. Serei a última a fechá-los?

E eu acho que no fim das contas eu estou sempre tentando remediar as coisas, o resultado que elas causaram, de alguma forma, com boas lembranças. A verdade sobre o que aconteceu é que eu acredito mesmo que ninguém nunca será capaz de descrever o seu melhor e o seu pior como eu. Eu vivi os momentos mais íngremes dos dois lados. A outra verdade é que tenho mesmo medo de confrontar tudo isso, de te reencontrar outra vez, de deixar vir à tona o que ainda há.

Acho que tenho medo de deixar a mágoa para trás, deixar as coisas terríveis que você fez e disse no passado. Tenho medo de perdoá-lo, e assim manter apenas o que foi bom. Eu sei que para o meu próprio bem eu devo perdoá-lo, mas a verdade, enfim, é que talvez de certa forma não haja perdão para certas coisas. Não acredito em perdão quando o coração ainda dói. E o meu sempre dói quando me lembro de você. As feridas cicatrizam, mas as marcas permanecem, para nos lembrar do que nunca mais devemos permitir.

Eu despertei o melhor que havia em você, mas por algum motivo você me fez ser a razão pelo que de pior em você surgia. Eu enfrentei seus monstros, eu lutei com você contra você mesmo. E por mais que eu me dispusesse a todas as batalhas possíveis e prováveis, você só tinha um único objetivo – me aniquilar em todas elas.

Pois bem, agora somos borrões do que um dia houve. Desconstruídos pela própria distorção. Desfeitos um pelo outro em sua própria conclusão.

TEXTO DEJanayna Lima
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