O que a minha filha me ensinou sobre o amor

Um bebê quando nasce precisa de muito mais do que alimento. Nossas mães e pais nos nutriram com algo que não é palpável, mas fundamental para que crescêssemos e nos tornássemos adultos felizes – amor. Você recebe todo aquele carinho e se sente seguro, amado, protegido. Então você pensa: eu amo meus pais também.

Aí você cresce. Surgem as primeiras paixões, os namoros… Até que você encontra uma pessoa especial, com quem deseja construir uma vida a dois. Vocês fazem planos, casam-se, moram juntos; e no convívio do dia-a-dia se descobrem amigos, parceiros que lutam para estabelecer uma bonita família. Você se sente cuidada, apaixonada, feliz. Então você pensa: eu amo meu marido também.

Então você tem um filho. E no início, aquele pequeno ser mal consegue abrir os olhos. Falar? Não, ele não fala, apenas chora quando alguma necessidade não é atendida. Você pensa que talvez ele nem entenda exatamente quem você é e nem onde ele está. A ele, você passa a dedicar-se quase 24 horas por dia, 7 dias da semana. Toda sua energia é canalizada para seus cuidados, o que, em muitos momentos, é extremamente cansativo. Seu tempo livre acaba; suas viagens, sua liberdade de ir e vir a qualquer momento também. Você larga o que estiver fazendo para atendê-lo, porque sabe que ele precisa de você.

Quando você atinge esse ponto, de dedicação extrema sem um retorno imediato, começa a entender o que é de fato o amor verdadeiro. Você dá, dá, dá, sem esperar nada em troca. Sua felicidade é simplesmente vê-lo feliz. E então você pensa: agora, sim, eu sei o que é amar!

O mais bonito de tudo isso é que os sentimentos que você chamava de amor por seus pais, por seu marido, também se modificam. Você se torna eternamente agradecida àqueles que te nutriram para que hoje você estivesse aqui. E àquele que te deu a maravilhosa oportunidade de ser mãe.

Um filho tira a casca que é formada em torno do seu coração ao longo dos anos, para que você não sofra (e é por isso que a dor de um filho parece nos doer mais do que as nossas). Um filho te mostra os pontos sombrios que você ainda tem para que ali também entre luz. Um filho te mostra que você não é imortal, mas que o amor que você dedica ao outro não morrerá nunca.

Obrigada, filha, por me ensinar tanto.

 

FONTESábias Palavras
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