O preconceito com os introvertidos

Introvertidos são facilmente mal interpretados e rotulados como anti-sociais, tímidos, esnobes, sérios. Em uma sala cheia de pessoas, note: os introvertidos estarão lá no cantinho deles, observando as pessoas e as conversas, enquanto os extrovertidos possivelmente estarão no meio de uma animada conversa ou de um grupo.

Sou introvertida com muito orgulho e percebo as dificuldades de se ser assim em um mundo onde a fala é mais valorizada que o pensamento e as aparências são mais cruciais do que as essências. A pergunta que mais escuto é: Por que você está tão quietinha, está triste?

Então, com o objetivo de explicar o universo dos introvertidos aos extrovertidos (que parecem não nos compreender) vamos a um breve manual:

Não é tristeza, é só silêncio. : Introvertidos gostam de silêncio pois há um mundo de histórias, pensamentos e imaginações inundando a mente deles a cada segundo, e os barulhos que vem do lado de fora atrapalham a construção deste universo. Pessoas introvertidas costumam ser muito criativas, e a criação sai do silêncio.

A solidão não gera depressão.: Várias vezes me questionaram por que eu estava em um sábado à noite em casa sozinha, sendo que eu poderia estar em uma festa ou algo do tipo. Minha resposta sempre pareceu chocar as pessoas: porque eu gosto. Não era falta de opção, de amizades ou de um amor – não é falta de nada. É sobra: tenho pensamentos para organizar, livros para ler, inspirações para juntar, e tudo isso eu consigo dentro da minha solidão.

Conversa-fiada cansa.: Existe um preconceito com os introvertidos que diz que eles não gostam de conversar. O conceito real é: os introvertidos não gostam de conversar sobre bobagens (a Copa do Mundo, o tempo, fofocas, histórias sobre pessoas que não conhece, etc). Conversa-fiada suga as energias, e eu poupo as minhas para o que realmente me interessa: vamos falar sobre cinema, sobre arte, sobre cultura, sobre pontos-de-vista, sobre coisas profundas e filosóficas – isso nunca me cansa. Mas não venha me contar o caso da sua vizinha ou perguntar como chego no tom do meu cabelo.

A bateria acaba.: Introvertidos não gostam de eventos que sejam muito longos. O barulho, as conversas, a necessidade de socialização vão drenando as energias e elas só são repostas naqueles preciosos momentos de solidão mencionados acima. O preconceito comum é as pessoas acharem que os introvertidos não gostam de pessoas. Eles gostam, apenas não tem uma necessidade constante e diária de convivío com as pessoas que ama. Introvertidos não precisam sair sempre, falar sempre, estar sempre com as pessoas queridas – eles preferem as relações em pequenas doses e com pessoas que conheça bem. E se você tem um amigo introvertido e ele te chama para sair, considere como uma enorme demonstração de carinho.

Não é chatice.: Não é arrogância. Muito menos esquisitice ou algo que deve ser consertado. As pessoas introvertidas tem uma maneira diferente de ver o mundo, as relações e as pessoas, e esta maneira não é nem melhor nem pior do que a dos extrovertidos – é, apenas, diferente. Os introvertidos preferem as relações profundas e duradouras: não serão amigos de balada nem casos de uma noite. Quando eu era mais nova, muito me justificava com minha quietude e minha retração, porque as pessoas se incomodavam comigo. Hoje, penso: pois que se incomode. Sou assim. E não há nada errado nisso.

A nossa sociedade hoje valoriza as relações fáceis e superficiais. Quem fala muito, mesmo que fale coisas vazias, se destaca e ganha espaço. Logo conquista os demais e se espalha pelos ambientes. E então, quando encontra o introvertido imerso em seu próprio universo, estranha e julga. Eu mesma fui e sou vítima de tantos rótulos que mal posso numerá-los! Mas, vamos tentar uma coisa diferente? Eu cuido de mim e você, de você mesmo, com respeito e educação. Obrigada.

FONTEObvious
TEXTO DERuh Dias
COMPARTILHAR





COMENTÁRIOS