O mundo não se divide em pessoas para namorar e pra pegar

Erro clássico de número 1 da maioria das pessoas: achar que existem dois tipos de pessoas no mundo, cuja classificação acontece de acordo com critérios superficiais ou, no mínimo, bem babacas. Quem nunca ouviu que fulano ou fulana são ótimos para dar uns pegas, catar na balada, dar umazinha e depois cair fora porque, bem, eles não são lá pessoas de respeito. Porque pra namorar cada um merece um santo ou uma beata, de preferência sem passado ou virgem, que nunca tenha pegado ninguém que você conhece. Pura balela. Esse papo, além de muito preconceituoso e exclusivista, te faz perder oportunidades que você nem imagina que poderia ter.

No momento em que eu e você classificamos pessoas em categorias, a gente ignora o próprio umbigo sujo e abaixo os óculos escuros pra comentar a vida dos outros. O sistema de classificação é tão falido que considera o passado do outro, a quantidade de parceiros sexuais que ele(a) teve, o comportamento social e outras informações que não servem de nada. O pensamento coletivo indica que uma pessoa livre, que se diverte, que tem alguns parceiros sexuais ou que já teve é alguém pra se divertir. Porque enxergam nela uma pessoa que não tem comprometimento, não possui traços ou características que sua mãe gostaria de conhecer.

Cá entre nós, esse papo não faz o menor sentido. Se a gente pensar na nossa conduta, nós veremos que nós gostamos de sair, de beber, de dançar, de conhecer alguém aqui e acolá e fazer sexo, de tudo o que jovens adultos gostam de fazer. Nós também temos passado, e ter nele mais ou menos parceiros sexuais que alguém não nos faz melhores ou mais criteriosos que ninguém. Todo mundo tem passado e busca a mesma coisa,deveríamos pensar mais no que sentimos quando estamos com alguém e na forma com que a pessoa se relaciona conosco do que ilustrar o “tipo” de pessoa que ela é a partir de preconceitos da nossa cabeça.

O mundo não se divide entre pessoas pra namorar e pessoas pra pegar. Ele se divide em pessoas, e o que faz com que elas sejam pra namorar ou não é só a vontade delas de iniciar um namoro. Todo mundo é elegível a ter relacionamentos longos, e você pode estar perdendo uma baita chance de começar algo legal com alguém porque fica mordido por ciúmes ou orgulho bobo, além de um julgamento bem frouxo, de que a tal pessoa não serve pra você. Repito: é balela.

Não entendo. De verdade, não entendo. Se a guria quis dar na primeira vez, talvez ela tenha sentido tesão em você e ido com a sua cara, rolou intimidade. Você também transou de primeira com ela sem nem conhecer muito bem. Por que ela não serve pra namorar e você serve? Se o guri já pegou metade do bairro, mas te faz bem e tem sido sua companhia constante, por que tratá-lo como peça descartável? No fim das contas, você está se colocando num patamar superior como se quisesse dizer que as suas atitudes são as corretas e a dessas pessoas não. Você as vê como objetos que podem render um prazer ou outro, mas nada além disso. Descarta qualquer chance de sentimento que elas possam desenvolver e destrata os sentimentos delas porque as enxerga como máquinas. Depois de tudo isso, você tem certeza de que você gostaria de namorar uma pessoa assim como você?

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Escrito por Daniel Bovolento

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