O mito de beber sozinho

Topei com isso depois de uns pensamentos a respeito e ao presenciar uma mulher, num domingo pela manhã, em uma mesa de bar muito à vontade curtindo seu chopp. O que trago aqui são apenas umas ideias sobre o mito de beber sozinho e, ao contrário do que parece, é um grito existencial de que as coisas estão mais no lugar como são pra estar.

Tudo começa em meados de 2013, uma caneca média de chopp e uma porção de batatas fritas com bacon e queijo cheddar. Assim foram cerca de duas horas de uma noite de terça e depois de um dia cheio de trabalho. Quando percebo uns olhares curiosos entre a tela do celular, garçons, balconistas e clientes sobre como eu tava ali só e, na cabeça deles, algo não estava bem. Ledo engano. Erraram feio. Na ideia e, principalmente, no julgamento.

Decidi, naquele dia, beber só, pelo mesmo motivo que pego um cinema só, caminho pela cidade ou quando vou treinar Slackline sozinho: para curtir minha própria companhia. E não confunda isso com egoísmo ou solidão. Mais na frente explico o que é isso.

Voltando àquela terça. Tomei minhas canecas de chopp e curti a comida, refleti sobre algumas situações que passei, a saudade de nunca mais ter encontrado um amigo, aquela última conversa com a minha irmã, a inquietação orbitando no coração e na mente sobre o tal amor. Em meio a isso tudo, nasceu um texto que não se explica de onde vem inspiração – ela simplesmente nasce, e cabe a nós dar vida a ela por meio das palavras. A poesia:

Observando a situação, o garçom chega e pergunta se quero mais uma caneca, respondo com um Sim! e Seu Jorge toca no som, o casal discute na mesa do fundo, o caixa passa o troco, uma mulher olha o celular e aparenta certo nervosismo e, por fim, minha caneca chega e degusto o chopp.

Em seguida me pego pensando em quem eu era um ano atrás, paralelamente e curiosamente imaginando um eu um ano dali num futuro próximo. Insights rolam e uma mistura de curiosidade e medo paira no peito. Sorrio e tomo mais um gole.

O celular vibra com o lembrete do horário, guardo o bloco que todo jornalista carrega consigo e registro a poesia do dia na imagem acima. Peço a conta, agradeço e me dirijo à saída. Antes de sair, olho para trás e vejo a mesa que estava rapidamente ocupada. Sorrio e sigo meu rumo.

Apesar de aparentemente estar só, passeando pelos meus pensamentos e vislumbres do amanhã que se aproxima, me pego pensando nesse mito de beber sozinho. Em que uns entendem como uma solidão ou até melancolia, eu percebi um amor, amor próprio de perceber que a minha pequenez ou minha grandeza eu posso medir quando tenho consciência da minha jornada e sonhos que pretendo realizar.

De coração aquecido e amor como um movimento contínuo que me faz querer um amor de vida a dois, mas também de irmão, de amigo, de toda essa imensidão.

E ainda dizem que beber sozinho não é legal…

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FONTEAmor Ano Zero
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