O ciclo dos términos e reconciliações dos relacionamentos

Chega! Não dá mais. Já deu o que tinha que dar. Já deu mais do que tinha que dar. Está insustentável. Pesado. Penoso. Cansativo. Desgastado. Acabado. Apenas no aguardo do apito final. Da assinatura da carta de alforria. Da formalização verbal do fim. Não tem jeito. Não insista. Melhor assim. Vai por mim. Acredite em mim. Siga seu caminho. Seja feliz assim.
Quase tudo nessa vida tem início, meio, declínio e fim. Conosco não foi diferente. E não quero que leve a mal: foi muito válido. Só que hoje não faz mais sentido. Não faz bem pra gente. Não existe um porquê pra continuar.
Quero que se lembre dos passeios incríveis, das noites não sóbrias, dos cuidados de um para com o outro nas enfermidades, do nervosismo do primeiro encontro, dos debates e troca de ideias, das amizades feitas em conjunto, dos beijos, carinhos e dos momentos mais tórridos.
Saiba que existe uma versão de mim antes de você e outra pós-você. E que a segunda é muito melhor. Mais madura, menos fresca, muito mais forte e resiliente. Mais racional e bem menos emocional. Que sabe se impor, fazer valer as suas vontades.
Essa também é uma versão reinventada de mim. Que eu não sei explicar com palavras, mas totalmente diferente. Só sei que é melhor de alguma forma. Mais certa do que quer, mais arrojada, menos preocupada com as expectativas alheias, mais focada na realidade do que com os pés no fantástico mundo da imaginação em que viajava normalmente.
É uma pena, mas chega aquele ponto em que as diferenças fazem muito mais a diferença que no começo. E os conflitos, não raras vezes, são a deixa para uma saída. E o fim não é necessariamente o término de tudo. Prefiro enxerga-lo como uma oportunidade de recomeço. Com ou sem o outro, ou com alguém que pode estar pra chegar e somar. Nunca se sabe. Mas os fins não precisam ser (e o ideal é que não sejam) tão trágicos quanto comumente nós o tornamos.
Leve o que de bom você aprendeu, aprenda com o que não foi tão bom assim. Permita-se o novo, o desconhecido, o que dá frio na barriga. Mas não vá muito além dos seus limites. Pensando bem, não vá tão longe. Não desapareça de uma vez. Não processe tudo tão rapidamente. Ninguém é tão racional assim, né? Não se apresse, não corra, não caminhe rápido. Espere. Deixe eu te apreciar um pouco mais. Não faça as malas agora. Volte. Fique. Só mais um pouco. Desculpa. Vamos tentar outra vez.Escrito por Aline Xavier, colunista do Sábias Palavras.

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FONTESábias Palavras
TEXTO DEAline Xavier
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