O amor só funciona em liberdade

Durante toda a minha vida, entendi o amor como uma espécie de escravidão consentida. É mentira: a liberdade só existe quando ele está presente. Quem se entrega totalmente, quem se sente livre, ama o máximo.
E quem ama o máximo, sente-se livre.

Por causa disso, apesar de tudo que posso viver, fazer, descobrir, nada tem sentido. Espero que este tempo passe rápido, para que eu possa voltar à busca de mim mesma – encontrando um homem que me entenda, que não me faça sofrer.

Mas que bobagem é essa que estou dizendo? No amor, ninguém pode machucar ninguém; cada um de nós é responsável por aquilo que sente, e não podemos culpar o outro por isso.
Já me senti ferida quando perdi os homens pelos quais me apaixonei. Hoje estou convencida de que ninguém perde ninguém, porque ninguém possui ninguém.

Essa é a verdadeira experiência da liberdade: ter a coisa mais importante do mundo, sem possuí-la.

Trecho do livro Onze minutos de Paulo Coelho


 Se me amar, deixe-me livre para ser quem sou. Assim, do meu jeito. Louco. Livre. Porque como disse Lispector, liberdade é pouco. O que eu quero ainda não tem nome.

Li há muito tempo uma frase que dizia assim: “Amo a liberdade. Por isso, as pessoas que amo deixo livres; se voltarem é porque as conquistei; se não voltarem é porque nunca as tive.”

De fato, segundo minha experiência e do que aprendi na vida, o amor só funciona em liberdade.
Lembro de uma história que aconteceu com duas pessoas próximas a mim.

Eles não se conheciam… Ela era uma menina linda. Era alegre, sorridente, com um brilho inigualável quando andava, quando dançava, quando sorria extrovertida pelos quatro cantos onde passava. Ele era um rapaz igualmente lindo, chamava atenção dos olhares femininos. Ambos conhecidos. Num belo dia nos encontramos e lá estava ele falando com todo mundo, marcando presença e deixando o ambiente mais belo do que de costume.

Ela a viu me abraçar e me dar um beijo bem grande, como só os intensos e verdadeiros sabem dar, e me perguntou: “Amigo seu?!”. Respondi que sim. Ela ficou encantada, e falou, “Me apresenta!” – insistiu. Adverti: “Você é ciumenta, possessiva; é “presença”, mas insegura. Não vai aceitar o jeito livre dele de ser…” “Que nada! Eu quero conhecê-lo! Me apresenta!”. “Está bem….”. Apresentei os dois. Ele também se agradou dela. Afinal, o aparente geralmente nos prega cada peça… O fato é que começaram a namorar, super apaixonados. Adverti aos dois: “Vocês não combinam.

São muito diferentes. Você livre; ela controladora. Pensem bem…” Ignoraram-me e seguiram… Ela, no começo, fazia vista grossa para o jeito expansivo e livre dele. Casaram. Tiveram dois filhos. Depois de um tempo, começou a querer limitá-lo, como eu já previra desde o primeiro momento. Ele, por gostar dela, foi mudando… Não mais tinha espontaneidade de falar com todos. Deixou de ser o pássaro lindo que era. Tinha asas, mas esqueceu-se de como era maravilhoso voar… Já não cantava mais. Definhou.

E até hoje esse exemplo prático que aconteceu bem debaixo dos meus olhos não me sai da cabeça e me deixa com a certeza de não querer algo nem de longe parecido para minha vida. Quero apenas o que me for semelhante. Apenas alguém que me aceite como sou, que me estimule, que incentive o meu melhor, o que eu sou e o que me faz feliz. A ideia do “você faz por mim, eu faço por você e assim seremos felizes”.

Se me amar, deixe-me livre para ser quem sou. Assim, do meu jeito. Louco. Livre. Porque como disse Lispector, liberdade é pouco. O que eu quero ainda não tem nome.

TEXTO DEMarcele Campos
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