O amor sempre dá certo. O que varia é o tempo.

Não sejamos injustos.

“ – E você e o fulano, como estão?

– É… Então… A gente terminou…

– Jura? Que coisa! Mas o que houve?

– Ah… Não deu certo.”

Quem nunca protagonizou este diálogo? De um lado ou de outro?

Eu mesma, para acabar logo com esse papo desagradável, já me utilizei da consagrada expressão “não deu certo”.

Mas é engraçado a gente dizer isso. Ou seria mais correto dizer ingrato? Não sei.

O fato é que, pensando bem, será que faz sentido dizer que algum relacionamento não deu certo? Será que um casamento de 20 anos, que num dado momento acaba, merece ser rotulado de algo que “não deu certo”? E uma paquera de 3 semanas, merece?

Foram anos de convivência. Foram diversas trocas de olhares. Foram jantares divertidos. Conversas sobre o que importava. E sobre o que não importava também. Foram noites memoráveis. Foram noites mal dormidas preocupados um com o outro. Foram viagens, estradas, caminhos.

Foram brigas por causa da toalha molhada em cima da cama. Por causa dos atrasos. Por causa das críticas. Do sapato no meio do quarto. Do cobertor. Do último pedaço da coxinha. Dos planos dissonantes. Da tampa da privada. Das histórias mal contadas.

Foram, no fim das contas, duas vidas em uma só, compartilhadas pro bem e pro mal. Foi entrega, dedicação, tentativa. Dá pra dizer que não deu certo? Dá pra desconsiderar tudo isso por causa de um desfecho que talvez não fosse o planejado?

Deu certo sim. Deu certo enquanto deu. Até que não deu mais. 4 dias, 4 semanas, 4 anos, 40 anos. Sempre dá certo, o que varia é o tempo.

E, talvez, lembrando disso, a gente viva com menos medo. Menos medo do primeiro passo, da entrega, do comprometimento, das dificuldades e até do próprio término. Talvez a gente aceite melhor os ciclos da vida. Talvez a gente tenha mais coragem para buscar felicidade, seja indo ou ficando.

Então vamos comemorar! Vamos brindar a nossa história! Uma cervejinha por todos os nossos relacionamentos, que sempre deram muito certo. Até que desandaram. Um brinde por aquele primeiro sorriso tímido pro João, pelo primeiro beijo com a Maria, pelo coração disparado pelo Zé, pela troca de alianças com a Aninha, pelo bebê que você teve com o Chico. Um brinde também pelo dia em que tudo acabou, pelo rumo que tivemos coragem de tomar.

Simples assim. Um brinde ao que pudemos e ainda podemos viver. Ao que a vida nos deu, que por mais que hoje soe como uma porcaria, já foi tudo o que um dia você mais quis.

Sejamos generosos com as nossas memórias, com quem faz parte delas e conosco. Chega de nos martirizarmos pelo fim ou de culparmos o outro pelo desfecho. Deu certo pra caramba. Deu certo pra todo mundo. Sempre dá, sempre deu, sempre vai dar, ainda que num dado momento, não dê.

FONTEEstadão
TEXTO DERuth Manus
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