O amor como autoconhecimento

Normalmente, não pensamos que o mais importante em um amor não é aquilo que vivemos ou recebemos do outro, nem o que deixaremos de receber. O mais importante, talvez, seja aquilo que demos ao outro. Oferecemos o nosso amor em porções fartas com direito a repetições ou racionamos nosso afeto?

Nenhum amor é realmente inútil. Todo amor tem o seu propósito. Não porque o outro é ótimo e nunca mais vamos esquecê-lo. Porque todo amor é uma ponte entre a ignorância e a descoberta do nosso essencial.
Quando um namoro ou casamento se acaba costumamos pensar naquilo que recebemos do outro, o que perdemos de bom, em tudo que não teremos mais: pernas enroscadas na cama numa noite fria, atravessar a rua de mãos dadas, o olhar terno ao amanhecer, os ovos mexidos compartilhados no café da manhã, a cumplicidade cálida de uma vida a dois.
O nós é realmente uma pessoa mágica que faz um simples filme com pipoca parecer um programa inusitado.

Alguns preferem guardar suas boas memórias em um porta joia como diamantes. Outros preferem lançá-las ao vento como as cinzas de alguém que muito amamos, mas que deixou este mundo.
Normalmente, não pensamos que o mais importante em um amor não é aquilo que vivemos ou recebemos do outro, nem o que deixaremos de receber. O mais importante, talvez, seja aquilo que demos ao outro: os olhares ternos, os sorrisos cúmplices, as piadas para animar um dia terrível, os bifes mais bonitos e os pedaços maiores de sobremesa que reservamos ao parceiro, os simples “Eu te entendo” depois de uma confissão triste.
Demos o nosso melhor ou apenas uma amostra de tudo que poderíamos dar? Fomos doces o bastante, picantes na medida certa, quentes sem queimar? Oferecemos o nosso amor em porções fartas com direito a repetições ou racionamos nosso afeto?

Depois que tudo acaba, o namoro, o casamento, depois que as lágrimas secam e voltamos a cuidar da alimentação e a cumprir os nossos deveres sociais, podemos perceber que talvez a única coisa que realmente tenha valido a pena foi todo o amor que pudemos dar. Toda a compreensão que pudemos ofertar. Todas as renúncias que pudemos fazer. As viagens , os passeios , as noites românticas, as manhãs preguiçosamente peraltas, talvez tudo isso seja apenas um detalhe.
Quando amamos intensamente, sem ressalvas, sem mas nem poréns, descobrimos o melhor e o pior de nós. Fazemos uma transloucada viagem dentro de nós mesmos e nos sentimos desprender de padrões rígidos demais, de modelos preestabelecidos certinhos demais. Percebemos que somos grandes, que podemos ir sempre mais longe, que podemos ir sempre além.
Além dos nossos medos, dos nossos preconceitos. Além das nossas forças. Talvez o outro tenha sido apenas um meio de chegarmos a nós mesmos.

FONTEObvious
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