Nosso vínculo nos une e nos resume

Eu estive tentando resumir os últimos acontecimentos ao formato de uma única palavra.

Num primeiro momento, pensei em “frustração”, por conta daquelas expectativas que você ousou destruir. Mas, sabe, frustração é uma palavra muito pesada, e mesmo me sentindo destroçado eu ainda conseguia me sentir leve ao teu lado.

Logo depois, na tentativa de elaborar algo mais concreto, pensei em “nostalgia”, por causa da saudade que cultivei durante esse nosso tempo separados. Só que sempre fui inconstante, e a saudade era algo que podia ou não acontecer – eu estava com medo de que a saudade de agora fosse ilusória.

Quase que automaticamente, pensei em “ilusão”. Sabe, me pareceu uma palavra tão convincente, tão legítima e tão cabível que passei a desconfiar, com medo de estar iludido novamente ao rotular os nossos últimos momentos como algo ilusório. É que a última vez que algo pareceu encaixar perfeitamente a uma situação, estávamos encaixados um ao outro, como peças de um quebra-cabeça querendo descobrir o mistério que está por trás dessa nossa união. União…

Foi então que descobri a palavra mais provável para dar cabo à minha busca: “vínculo”. Sim, vínculo é a palavra. Vínculo é tudo o que somos, tudo o que fomos e tudo o que mantemos de um para o outro. É de vínculo que estou falando. É o vínculo que abriga a frustração, a nostalgia e a ilusão, mas que também abriga a leveza, a saudade e a sensação de perfeição. Nosso vínculo nos une e nos resume, e é ele que me interessa.

Não vá embora, tá?

FONTEAmor Ano Zero
TEXTO DEAlysson Augusto
COMPARTILHAR





COMENTÁRIOS