Não preciso de ninguém, mas gosto de ter alguém

Você não precisa de mim para nada”, disse um ex, tentando justificar por que durante semanas comeu a colega de trabalho na hora do almoço. Tive que concordar. Eu não precisava dele para nada. Eu pagava minhas contas, minha carreira era promissora, tinha uma vida social que não dependia dele, um apartamento descolado.

Não precisava, só queria alguém que me desse amor, ombro amigo, esfregasse seus pés quentinhos nos meus, noites de sexo, manhãs de aconchego, sem que tivesse que dar em troca a minha individualidade, sem que tivesse que parecer frágil ou dependente. Quando ele foi embora, não tive que reconstruir a minha vida, porque eu já tinha uma.

Mas eu adoro homem. Gosto da presença, do papo, do humor, do cheiro, do corpo, do pau. Não preciso de nenhum para preencher os buracos afetivos que colecionamos pela vida. Estar com um é uma escolha, não uma necessidade.

Melhor ainda se é alguém que me paparica. Não me sinto menos dona do meu nariz se um cara me dá flores, se paga o jantar ou se me come de quatro. Isso só quer dizer uma coisa: estou sendo bem tratada, bem mimada e bem comida. Só isso. E adoro.

Aceitar gentilezas não muda o jeito que levo a vida e como me relaciono com os homens. Chorei no dia do meu casamento. Adoro deitar no ombro do meu marido na hora de dormir. Ele faz as compras e eu sou dona da caixa de ferramentas. Ele sabe que não preciso dele, assim como ele não precisa de mim.

Estamos juntos porque nos fazemos felizes, porque temos amor, respeito, carinho, afinidade, tesão. E eu valorizo demais um homem que faz de tudo pra me ver feliz. Valorizo quando ele faz o jantar, quando ele me pede pra ficar mais na cama, quando não me pergunta se vou demorar pra chegar em casa, se estou trabalhando ou no bar com as amigas.

Mulher que não valoriza ser bem tratada, bem mimada e bem comida, não é feminista. É boba.

TEXTO DEMariliz Pereira Jorge
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