Não, ela não vai te dar outra chance.

Naquele dia, eu havia trabalhado até um pouco mais tarde, mas mesmo assim, na volta, passei na casa dela. Eu a vi já dormindo, linda que só ela.

Com cuidado para não acordá-la, dei-lhe um beijo na testa e, enquanto me afastava, só conseguia pensar em como eu tinha estragado tudo mais cedo, quando discutimos.

Eu saí de mansinho e fechei a porta. Fui embora.

No dia seguinte, vejo a mensagem: “Você vem por aqui hoje?” Eu não entendi, afinal eu havia dito coisas horríveis e mesmo assim ela parecia querer me ver.

19:30, ligo pra ela.

“Tô indo aí, desce.”

Ela veio ao meu encontro, me deu um beijo e um abraço, depois pediu pra ficarmos ali por alguns minutos. Eu não entendi nada, mas fiquei lá paralisado enquanto ela repousava a cabeça em meu peito. Depois eu fui embora, meio confuso, sabendo que ainda não estávamos bem.

No dia seguinte, a mensagem vem: “Precisamos conversar.”

Foi aí que eu entendi que aquele abraço da noite anterior e aquele beijo digno de uma cena de filme hollywoodiano era a maneira dela de se despedir.

Ela nunca foi de fazer alarde, sabe? Aquele era o jeito dela de dizer adeus e eu entendia.

Mesmo sabendo que não teria outra chance, ainda assim tentei a sorte. Ela, irredutível, só pediu pra que eu tivesse paciência e esperasse, porque um dia eu iria entender tudo, porque um dia eu iria perceber que realmente aquilo era o melhor pra nós. E realmente foi, mesmo que daquele jeito estranho.
Porque quando as lágrimas brotam mais que sorrisos, o adeus acaba não sendo apenas mais uma opção, mas sim uma necessidade. Hoje, eu sei disso. Hoje, eu entendo de verdade.






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