Muher poderosa não perde tempo com joguinhos

Não ligue pra ele nas vinte e quatro horas posteriores ao encontro. E só atenda a ligação depois do terceiro toque. Mostre a ele que você é ocupada e tem vida própria (como se isso não fosse obvio; todo mundo tem, ou pelo menos deveria)”. “Não dê antes do terceiro encontro. Ou melhor, adie o máximo que puder”. “Não demonstre afeto. Alimente uma leve indiferença. Do contrário, você parecerá carente, louca e desesperada. E se tem uma coisa que homem odeia é isso”. “Não deixe claro que está tão a fim. Homem gosta de se sentir conquistador. Homem é o caçador”. “É o cachorro que tem que ir atrás da linguiça, e não o contrário”. “Tem que ter cuidado pra não assustar os homens”. Que atire a primeira pedra a mulher que nunca escutou pelo menos uma meia dúzia de merdas machistas como essas.

Fomos criadas pra não verbalizar de forma clara as nossas vontades, sejam elas quais forem. Fomos educadas pra serem meigas e aprender a pedir as coisas com jeitinho e docilidade, pra assim conseguir o que queremos. Ensinaram que não poderíamos ser sinceras e diretas, pois isso soa agressivo e é incompatível com a feminilidade que toda mulher “tem que ter”. Afinal, nada mais feio do que mulher grosseira e antipática, não é mesmo?

Nós, mulheres, fomos levadas a acreditar que deveríamos nos comportar da forma estabelecida por uma sociedade sexista e normatizadora, e a prova cabal disso é que infelizmente o estereótipo da mulher feminina – assim como quase todos os estereótipos – se confirma. Inconscientemente passamos a repetir um padrão esperado, e a nos distanciarmos da nossa verdadeira personalidade.

Graças ao feminismo (e o ativismo virtual tem um papel enorme na democratização e ampliação do acesso a esse tipo de informação) as mulheres estão cada vez mais se questionando e desconstruindo padrões. E um desses comportamentos diz respeito aos joguinhos amorosos na conquista.

A mulher poderosa não perde mais tempo esperando semanas por uma potencial ligação de um homem que conheceu na pizzaria na quarta passada. Se ela gostou e está a fim, na quinta mesmo ela envia uma mensagem de texto (ou via whatsapp) dizendo que foi bom estar com ele. E não há nenhum problema nisso. Se ele é do tipo que se espanta com uma pessoa que corresponde às suas investidas, existe algo bem errado aí. E não é com ela.

Ela não tem medo de sugerir um evento que com certeza irá terminar no motel. Não precisa esperar ele convidá-la pro cinema, depois pro restaurante, em seguida pra um jantar à luz de velas pra só então, quando ele sugerir um lugar mais reservado, ela finalmente fazer o que tem vontade. Ela já o convida pra ir a casa dela, se estiver interessada. E isso não diminui o seu valor em absolutamente nada.

Homens que se assustam com mulheres que deixam claros seus desejos, vontades e opiniões (e isso vai para além da esfera amorosa / sexual) na verdade não estão aterrorizados como quem viu uma legião de fantasmas ou uma barata gigante e cascuda. Eles estão, na verdade, incomodados por não estarem sendo os protagonistas ou a palavra final das relações. Porque dizer o que a gente quer de forma indireta é muito difícil – pra não dizer ineficaz. E como estão acostumados a serem os primeiros a levantarem a voz, e consequentemente, quase sempre ouvirem amém, se sentem invadidos quando este papel, de quem sempre escolhe e dita os rumos do relacionamento, é posto à prova.

A mulher poderosa diz e faz o que quer, quando quer, e não se preocupa com o julgamento de um possível babaca, pois quem estará perdendo é ele. Ela sabe que, por trás da máscara de um homem intimidado e assustado com a atitude de quem se garante na conquista e não fica sentadinha de pernas cruzadas esperando, muitas vezes se esconde um machista incorrigível. Mas este tipo, definitivamente, não lhe interessa nem um pouco.

FONTESuper Ela
TEXTO DEAline Xavier
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