Minha identidade

Sã, porém louca. Poderiam dizer-me espontânea, nada comedida, ou quem sabe desavergonhada. Ando numas de fechar meus olhos para opiniões caretas e rasgar rótulos que não servem pra nada – nem pra mim, nem pra ninguém mais.

Aprendi sobre ser mulher com modelos dos mais diferentes e com os conceitos mais variados. Fui avessa a religiões e voltei atrás delas quando quis, despejei amores por caras toscos e conheci santos que valiam o risco, descobri que prazeres são melhores quando mantidos em segredo, ainda que várias vezes tenha ouvido pregações sobre honestidade. Mas onde houve falta dela? Pensando bem, paguei a conta da honestidade comigo mesma.

Amo, apesar de alguns pesares, viver em uma época em que tabus são derrubados e pessoas podem, simplesmente, ser pessoas. Com o gênero que quiser, com a identidade que escolher. Me apresento aqui como mulher, heterossexual, avessa a machismos baratos, com doses cavalares de escracho e falta de modos, que detesta cruzar as pernas em ocasiões sociais, adora falar sobre sexo, não tem a menor paciência para o salão de beleza mas adora um elogio sincero e uma cantada ousada.

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Ainda cultivamos hábitos quadrados demais porque fomos ensinados a cumprir moldes datados. Já não faz mais sentido. Lutamos tanto por liberdades que de fato atingimos e continuamos nos prendendo em opiniões pobres de mentes cretinas. Pra mim, se mantivemos os conceitos de respeito e educação intactos, cada um há de fluir bem dentro de um espaço em que vagarão pessoas felizes, satisfeitas. Completas.

Bem mais legal do que vislumbrar o futuro do mundo como um todo, me pego sorridente de acreditar que me livrei de amarras bestas e me tornarei a mulher que aquelas outras que me inspiraram terão orgulho de assistir. Maravilhosamente íntegra comigo mesma, bondosa com quem merece, ousada com quem me ama, eu mesma, nas minhas peculiaridades, com todo mundo.

FONTEDona Oncinha
TEXTO DEBianca Ferreira
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