Meu adorável primeiro cafajeste.

Escrito por Samantha Silvany, colunista do Sábias Palavras.
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Não posso permitir você vir me remexer. Não me bagunça. Não me muda se não pretende ficar. Não finja querer. Não brinque com aquele que faz meu sangue bombear, isso não se faz. Não iluda. Não minta. Não tente levar nenhum pedaço meu. Eu pertenço a mim. Cada gota do meu sangue, cada batimento, cada respiração, cada sopro de vida. Sou dona de mim.

Se um dia eu ousar te contar, você vai acreditar? Você nem desconfia mas existe um sentimento aqui e foi construído em cima do teu ego de conquistador. Eu sabia da tua fama. Meus amigos insistiram, me avisaram que se eu pisasse no teu terreno cedo ou tarde eu encontraria um abismo. E encontrei. Estou perto de sair, mas você insiste em me deixar lá e fazer de mim uma boneca de trapos. Sou tua marionete e você só lembra de usar quando não há mais com quem brincar.

Não vou esquecer do nosso primeiro beijo, mais inesperado impossível. O lugar era impróprio e cheio de olhares que poderiam atrapalhar todos os teus outros casos. Teu jogo de sedução me colocou na tua mão. Você me conduziu para o desconhecido e meu peito apertou à excitação do novo. Você era o oposto de todos que estiveram comigo. Nem de longe um príncipe. Eu tinha achado meu lobo mal, o meu adorável primeiro cafajeste. Dizem que precisamos encontrar alguns na nossa vida. Mas eu realmente não queria que fosse você. Eu queria te consertar e ser aquela que ia te revirar por inteiro. Eu acreditei ser capaz de te endireitar. (Estúpida!) O tiro saiu pela culatra. Eu que não fui mais a mesma desde você. Me deixei levar no teu jogo e você ganhou mais um coração para tua coleção.

Foi golpe baixo dizer que queria mais do meu beijo, foi baixo até para você. Não tenho nada contra pessoas que não se deixam envolver. Não tenho problema nenhum com pessoas que só querem colecionar romances. Mas encenar um sentimento… insisto, foi baixo até para você. É sexo? Faz logo e cai fora! Se não pretende permanecer, para que prolongar? Seria mais fácil assimilar o teu adeus se você não tivesse se perpetuado. Isso aqui que consome meu coração não existiria. As borboletas no meu estômago hoje já teriam voltado a ser lagartas esperando o próximo para quem voar.

Não era para ser você. Eu tinha planejado tudo: ia te mostrar o quanto se apaixonar pode ser bom, ia te ganhar para mim e te fazer acreditar no amor. Mas quando eu percebi foi o meu coração que construiu um sentimento. Entrei nas tuas artimanhas sem saber, permaneci sem querer, mas não vou embora sem antes você saber: tem um espaço enorme no meu peito que você não quis preencher. Um nada que ocupa minhas noites em claro e as lágrimas intermináveis de um amor que foi ignorado. Sou adulta o suficiente para dizer, olhando na tua cara, tudo o que acontece aqui comigo toda vez que vejo esse teu olhar maroto. Não me importo que todos digam o quanto sou boba e que você não merece saber do sentimento que carrego dentro de mim. Mas sinto que isso o que sufoca a minha garganta só vai aliviar quando você souber, afinal, foi você que nutriu o meu sentimento solitário.

Você levou meu coração. Roubou, na verdade, pois nunca foi a minha intenção dividi-lo com você. Eu só queria te dar uma lição e continuar sendo inteiramente minha. Mas como um bom jogador você ganhou meu coração e o levou para entalha-lo de troféu. Torno a dizer, isso foi baixo até para você.

Agora que sabe o que eu guardei até dos meus mais íntimos pensamentos, me sinto no direito de tirar meu coração da sua estante. Ele nunca foi feliz aí.

FONTEBendita Cuca
TEXTO DESamantha SIlvany
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