Como é bom chegar em casa e tirar os sapatos. É gostoso sentar no sofá quietinha e colocar no canal que eu gosto, sem me importar se é da preferência de alguém. É bom também fazer um macarrão instantâneo da forma mais preguiçosa porque eu não preciso convencer ninguém de que meu salmão gratinado com batatas é uma divindade que só eu sei fazer. É uma delícia colocar o meu chinelo branco, meu jeans mais surrado e uma camiseta qualquer, porque não preciso da aprovação de ninguém.
É bom ficar sozinha e não ter que esperar o tempo e o gosto dos outros.

Mas melhor ainda é quando você chega. De braços abertos, sorriso malicioso ou despretensioso, melhor é quando você chega. Mas melhor ainda do que quando você chega, é quando manda uma mensagem no caminho dizendo que está ansioso pra chegar. É bom saber que tem alguém do outro lado que gosta de chegar. Melhor ainda, gosta de ficar. Melhor ainda, não quer ir embora.

Meu sofá da sala é grande o bastante para que eu me esparrame em um dia cansativo e interminável, mas fica maior ainda se não tem você pra dar risada comigo de como o mundo é pateticamente irritante e a gente se deixa levar por qualquer besteirinha. A panela de brigadeiro enche os meus olhos quando fica pronta, mas sempre sobra um pouco pra amanhã quando você não está. E amanhã não sei se vou querer brigadeiro. É bom quando você está aqui agora e nada fica pra depois.

É bom não ter que dar satisfação pra ninguém. Desde que inventaram essas mensagens, parece que virou obrigação estar ali pra todo mundo. Mas sabe, é melhor ainda saber que você só dorme quando eu finalmente cheguei em casa.

É bonito ser o número um, mas o número dois é melhor ainda. Melhor do que estar sozinha aqui, é saber que você está aí e me quer em qualquer lugar. Melhor ainda é saber que o meu amor que já era próprio, agora transbordou para também ser seu.

Foi bom ser só, mas melhor ainda foi ter te encontrado.

 

Escrito por Thaís Dorigon.

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