Manifesto contra relacionamentos sérios

Eu não quero estar em um relacionamento sério. Nunca. Nem hoje, nem semana que vem, nem em dez anos. Nem se eu estiver estabilizada na vida, nem se eu estiver carente e sozinha, nem se o homem mais interessante do mundo aparecer. Aliás, principalmente se o homem mais interessante do mundo aparecer.

Sério é o meu relacionamento com meu porteiro, e olhe lá. Volta e meia conversamos sobre algum assunto que nos faz rir. Só quero ter relacionamentos sérios com quem não gosto. Com o mal educado da fila do super, a moça que não segurou a porta do elevador pra uma velhinha na minha frente, o imbecil que não limpa o cocô (tem acento ainda?) do cachorro da calçada… Com quem amo, quero ter relacionamentos leves, divertidos, coloridos.

Relacionamentos que acrescentem sem pesar, porque de pesada já basta minha bolsa. Relacionamentos que não façam cobranças, porque eu quero me doar por vontade própria. Relacionamentos leves, que respeitem a identidade individual, que não tentem nos tornar um só, com os mesmos gostos, as mesmas vontades, as mesmas neuras. Ao contrário, que nos ensinem a gostar de coisas novas, a pensar diferente, abrir a cabeça, a entender que essa história de metade da laranja não funciona nem pro próprio Fábio Jr (tá casado com quem agora, mesmo?).

Ok, “relacionamento sério” é só um título, uma maneira de chamar. Mas em alemão, por exemplo, esse termo é substituído por “está apaixonado por”. Muito mais querido, não?

Mais do que o botão de dislike, acho que está faltando nas redes sociais outras maneiras de descrever o amor. Sério não é uma palavra que faça jus à grandeza desse sentimento. Não é um relacionamento enrolado, não é um relacionamento aberto. É um relacionamento livre, em que ambas as partes escolheram estar, não por carência ou comodismo. Não porque não-tem-tu-vai-tu-mesmo, mas porque foi uma escolha entre estar feliz solteiro ou estar mais feliz ainda com essa pessoa. É um relacionamento leve, porque os dois têm consciência de que estão juntos porque querem, e sabem que ninguém é obrigado a levar isso adiante se não se sentir valorizado, amado e feliz. É um relacionamento dinâmico, porque permite o crescimento mútuo e entende que vamos passando por fases ao longo da vida, mas que alguma coisa deve se manter desde a origem, e é o que os fará permanecer unidos, mesmo que não sejam mais como eram quando se conheceram. É um relacionamento divertido, porque te dá liberdade de rir sem culpa, viver sem pudores, virar criança em alguns momentos e reinventar o kama sutra em outros.

Ao invés de o facebook investir em tantas mudanças de layout das páginas e outras bobagens, bem que Mark e sua turma podiam ampliar o leque de status afetivos, né? Talvez se existissem mais maneiras de definir os relacionamentos nas redes sociais as pessoas acabariam se questionando que tipo de relacionamento elas de fato têm. Por mais boba que seja a pergunta, acredito que entre “estar em um relacionamento sério” ou “estar em um relacionamento divertido”, a maioria das pessoas optaria pelo segundo. Pelo menos para manter o status.

TEXTO DEFMaoli para Anonimados
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